Reajustar o salário mínimo e as aposentadorias não é virtude, é obrigação do presidente da república
Por
Taciano Medrado*
Reajustar
o salário mínimo e os benefícios previdenciários para recompor as perdas do
poder aquisitivo da população não é um gesto de bondade do governante, tampouco
uma demonstração extraordinária de compromisso social. É uma responsabilidade
inerente ao exercício da Presidência da República e um dever do Estado para com
os trabalhadores, aposentados e pensionistas brasileiros.
Ao longo
dos anos, a inflação corrói o valor real dos rendimentos, encarece os
alimentos, os medicamentos, a energia elétrica, o aluguel e os demais itens
essenciais à sobrevivência. Para quem vive de salário mínimo ou depende
exclusivamente da aposentadoria ou da pensão do INSS, cada aumento no custo de
vida representa uma redução concreta na capacidade de pagar as contas e manter
a própria dignidade.
É preciso
compreender que aumentar nominalmente um benefício não significa,
necessariamente, garantir ganho real ao cidadão.
Quando o
reajuste apenas acompanha a inflação acumulada, o objetivo principal é
preservar, tanto quanto possível, o poder de compra que o trabalhador ou
aposentado já possuía. Ganho real, de fato, ocorre quando o reajuste supera a
inflação do período, observadas as regras legais e a sustentabilidade das
contas públicas.
Por isso, não se deve transformar uma obrigação administrativa e econômica em propaganda política, como se o presidente da República estivesse fazendo um favor pessoal à população ao autorizar reajustes anuais.
O
dinheiro que sustenta milhões de aposentados e pensionistas não é uma concessão
graciosa do governante. É fruto de uma trajetória de trabalho, contribuição
previdenciária e direitos assegurados pela legislação. Da mesma forma, o
salário recebido pelo trabalhador representa a remuneração de sua força de
trabalho, e não uma dádiva de quem ocupa temporariamente o Palácio do Planalto.
O debate,
portanto, não deve se limitar ao anúncio de um novo valor para o salário mínimo
ou para os benefícios previdenciários. A sociedade precisa avaliar se os
reajustes são suficientes para enfrentar o aumento do custo de vida, se
garantem condições dignas de sobrevivência e se permitem que os brasileiros
mais vulneráveis tenham acesso à alimentação, à saúde, à moradia e ao lazer.
Também é
necessário cobrar responsabilidade fiscal, transparência nos cálculos e
políticas econômicas capazes de controlar a inflação, estimular a produtividade
e ampliar as oportunidades de emprego e renda. Afinal, aumentos que não são
acompanhados de medidas consistentes para preservar o poder de compra podem
perder rapidamente seus efeitos positivos.
O
aposentado que trabalhou durante décadas não pode passar a velhice contando
moedas para comprar medicamentos. O pensionista não deve ser obrigado a
escolher entre pagar a conta de energia e colocar comida na mesa. E o
trabalhador que recebe o salário mínimo precisa ter condições de atender às
necessidades básicas de sua família.
A
recomposição do poder aquisitivo não é favor político, é compromisso com a
dignidade humana.
O mérito de um governo não está apenas em anunciar reajustes, mas em assegurar
que eles produzam resultados concretos na vida da população.
No fim
das contas, a questão é simples: o presidente da República não deve ser
aplaudido como benfeitor por cumprir suas responsabilidades. Deve ser cobrado
pela suficiência dos reajustes, pela preservação dos direitos e pela capacidade
de conduzir a economia de modo que o brasileiro não veja seu salário
desaparecer antes do fim do mês.
Governar
é assumir responsabilidades, não reivindicar aplausos pelo cumprimento de
obrigações.
(*) Professor de Engenharia Econômica, Analise de investimentos e Economia e redator chefe do TMNews do Vale — veículo de comunicação independente e com Informação que aproxima com credibilidade e sem meias verdades
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