LULA EXPERIMENTANDO SEU PRÓPRIO VENENO

 


Por João Chaves*

 

Como um deus do Olimpo, comportando-se sempre como um salvador da pátria, Lula, porém, foi paulatinamente massacrando quem tivesse a ousadia de confrontá-lo ou ameaçar sua hegemonia no campo da esquerda, o chamado campo progressista. Quem ousasse entrar em confronto com ele teria de enfrentar sua ira e, imediatamente, uma ferrenha campanha de desconstrução de sua imagem.


A primeira a demonstrar essa ousadia foi a ex-senadora Heloísa Helena, que passou a ser caracterizada como tresloucada e desequilibrada. Naquele momento, a militância petista, sem concorrência,  na disseminação das posições de seu líder maior, atuava em defesa de Lula, que então gozava de estrondosa popularidade.


Depois, foi a vez de Marina Silva, que defendia a autonomia do Banco Central, algo que não agradava ao messiânico Lula. Durante a campanha presidencial da qual participou, apesar de ter sido ministra do Meio Ambiente no governo petista e de contar com expressiva aprovação nas pesquisas, Marina não foi poupada: teve sua imagem duramente atacada e desconstruída.


Na sequência, as baterias foram direcionadas a Ciro Gomes, que, ao longo de sua trajetória, havia apoiado candidatos do PT. No entanto, por ter se ausentado do país naquela eleição, sem declarar apoio ao adversário de Fernando Haddad, foi taxado de traidor. A campanha de desconstrução acabou assumindo contornos de destruição de sua trajetória política, apesar de Ciro ter sido ministro da Integração Nacional no governo Lula.


O que esperar de alguém que sofreu as mais sujas e perniciosas agressões? Que continuasse alinhado ao messianismo petista, sempre apoiando, sem nunca ser apoiado? Por que não Ciro, em vez de Haddad? Se isso tivesse acontecido, talvez Bolsonaro não tivesse vencido aquela eleição.


Desse grupo, apenas Marina Silva retornou ao ninho petista, enquanto o eleitorado paulista lhe deu sua resposta nas urnas. Aqueles que não romperam com Lula acabaram sendo cooptados. Simone Tebet, que o acusou de não ter capacidade de fazer uma mea culpa nos casos do Mensalão e do Petrolão, também acabou recebendo, segundo essa interpretação política, uma resposta do eleitorado paulista.


Outro nome cooptado foi Guilherme Boulos, principal liderança do PSOL, que, na visão crítica aqui apresentada, tornou-se um ventríloquo do atual governo. Agora, sem mandato, não terá a mesma visibilidade política de que desfrutava anteriormente.


Pois é, Lula! Você tanto fez que conseguiu enfraquecer e afastar importantes expoentes e lideranças da esquerda. Agora, experimenta o próprio veneno e se vê diante de um cenário de isolamento político.


Se tivéssemos, neste momento, uma candidatura de Ciro Gomes, a esquerda talvez não estivesse tão isolada e sozinha nessa disputa para enfrentar a direita. Seus votos, com certeza, poderiam migrar para Lula, embora isso não possa ser tomado como uma certeza absoluta.


Sem entrar no mérito dos valores e das ideias defendidos por cada candidato, cabe ao eleitor decidir com base nas informações a que tem acesso, inclusive nas redes sociais, e não apenas naquilo que é divulgado por setores da imprensa que, na visão deste articulista, estão altamente comprometidos com o discurso governamental, em razão das vultosas verbas publicitárias que lhes são destinadas.


Tenham uma boa e tranquila eleição, com cada um votando de acordo com suas convicções e sua consciência.


ATÉ O RESULTADO FINAL!


(*) Médico


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