O Brasil de “Lula” onde tudo termina em pizza e carnaval

Entre camarotes oficiais, homenagens carnavalescas e decisões judiciais, o país real parece cada vez mais distante do palco principal

Por Taciano Medrado*

Olá caríssimos leitores,

O Brasil atravessa um momento em que os contrastes se tornam cada vez mais evidentes. De um lado, desafios estruturais persistentes: inflação pressionando o orçamento das famílias, insegurança, gargalos na saúde e na educação, além de um cenário político polarizado. De outro, a agenda festiva do presidente da República, que escolhe o carnaval como vitrine simbólica de seu terceiro mandato.

Seguindo a Revista Veja, neste sábado (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará, pela primeira vez como chefe do Executivo em exercício, do desfile do Galo da Madrugada, em Recife, considerado o maior bloco de carnaval do mundo. A expectativa é que Lula acompanhe a festa em um camarote de patrocinadores, marcando presença num dos eventos mais emblemáticos da cultura popular nordestina.

Ainda no chamado Sábado de Zé Pereira, o presidente segue para Salvador, onde deve prestigiar o desfile do Trio da Cultura, liderado pela cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes. Na capital baiana, Lula acompanhará a folia no circuito Campo Grande, em camarote oficial do governo estadual, comandado por Jerônimo Rodrigues.

No domingo (15), o roteiro carnavalesco culmina no Rio de Janeiro, onde a escola de samba Acadêmicos de Niterói prestará homenagem ao presidente no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, abrindo a primeira noite do grupo especial. A agremiação levará à avenida um samba-enredo contando a trajetória política de Lula.

A homenagem, no entanto, não passou sem controvérsia. Partidos da oposição recorreram à Justiça sob a alegação de que o desfile poderia configurar propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou as ações apresentadas até o momento, entendendo que não há irregularidade jurídica configurada.

O que se coloca em debate não é a legitimidade cultural do carnaval, patrimônio imaterial e expressão máxima da identidade brasileira, mas a mensagem política transmitida quando o chefe de Estado assume o centro do espetáculo em meio a um país repleto de urgências.

Governar é também comunicar prioridades. Ao optar por uma agenda intensamente festiva, cercada de homenagens e camarotes oficiais, o presidente sinaliza uma estratégia política clara: reforçar vínculos simbólicos com as bases culturais e populares que historicamente sustentam sua trajetória.

Entretanto, para parte significativa da sociedade, a imagem de um país onde crises se arrastam enquanto a elite política ocupa espaços de celebração reforça a percepção de que “tudo termina em pizza e carnaval”. A metáfora, tão brasileira quanto o samba, ecoa a sensação de impunidade, morosidade institucional e normalização de escândalos que raramente resultam em consequências práticas.

O Brasil não pode ser reduzido à festa permanente, nem à política de espetáculo. A cultura deve ser celebrada; a governança, exercida com responsabilidade e foco nas prioridades nacionais. Quando o palco da avenida se mistura ao palco do poder, a linha entre celebração e estratégia política torna-se tênue.

Resta saber se, ao final da folia, o país voltará ao compasso da responsabilidade fiscal, das reformas estruturais e do enfrentamento dos problemas reais, ou se continuará embalado pelo ritmo onde, historicamente, quase tudo acaba em aplausos, confetes e acordos silenciosos.

No Brasil de “Lula”, a pergunta que fica é simples: após o carnaval, o que sobra além da ressaca?

(*) Professor, redator chefe e analista político


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