Por: Valter Bernat*
Qual será o significado da atitude do ministro Dias Toffoli, relator do caso do Banco Master, ao determinar à Polícia Federal que envie os itens, por ela apreendidos durante a nova fase da chamada Operação Compliance Zero, devidamente lacrados, diretamente a seu gabinete no STF? Claro que tal determinação causou perplexidade nos investigadores, já que o procedimento normal é o envio de tal material, primeiramente, à perícia da PF para o competente processamento e avaliação dos dados.
O caminho legal normal é a PF investigar, tomar depoimentos, colher provas, eventualmente fazer acareação, até apresentar a denúncia ao Judiciário. Não é normal o Judiciário fazer às vezes de “investigador” e “julgador”. Que caminhos estamos adotando quando se trata de apurar o que pode ser a maior fraude bancária da história do país, segundo recente manifestação de Fernando Haddad? Aonde nos levarão? É de arrepiar!
Toffoli é mesmo um sujeito peculiar. Certa vez, ao julgar um habeas corpus, disse que os fatos eram “extremamente gravíssimos”. Como admirador da Língua portuguesa, fiquei chocado, pois ele misturou o superlativo sintético com o analítico e criou o superlativo redundante. Em outra ocasião, sob o espírito salomônico, declarou que o Golpe de 64 não era golpe e nem revolução redentora, mas, sim, “movimento de 64″.
Pronto! Toffoli pacificou o Brasil. Quando Lula voltou à Presidência, Toffoli pediu que o presidente o perdoasse por não ter autorizado sua ida ao velório do irmã, quando ainda estava preso. O pedido de perdão seria mais sincero se fosse feito antes de Lula vencer as eleições, não é?
Toffoli é confuso e nos confunde. Desde que voou no jatinho ao lado do advogado do Master para assistir à final da Libertadores, ele parece meio baratinado. Insistiu na incrível acareação entre investigados e o diretor do BC, e agora uma esdrúxula decisão de que todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance seja lacrado e acautelado até que ele faça uma avaliação.
A PF tem que aguardar seu aval para seguir investigando? Toffoli não está legal, e seus atos estão “extremamente estranhíssimos”.
A inclusão de novos personagens no affair Banco Master como um pastor evangélico – Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor da Igreja Bola de Neve – e o empresário baiano Nelson Tanure, figurinha carimbada em negócios esdrúxulos, está tornando o caso uma série imperdível. O elenco, que já contava com personagens de alto gabarito como o governador de Brasília, ministro do TCU, ministros do STF, gestores de fundos de aposentadorias de alguns estados e municípios, presidentes do BRB, membros do Banco Central, o presidente do Banco Master e, como sempre, vários figurantes do chamado Centrão, recebe agora mais esses dois atores.
À audiência que, seguramente, desbancará qualquer “BBB” e, se um dia virar filme, poderá receber o almejado Oscar. Só esperamos que os bandidos não saiam impunes no fim, sobrando para o povo brasileiro apenas pagar pelo ingresso para assistir a mais uma ópera-bufa.
Esta questão do Banco Master só piora. Agora tem ministro, irmão de ministro e outro irmão do ministro enrolados que nem um saco de estopa. E o contrato de R$ 129 milhões? Ninguém explica nada, ninguém fala nada. A imprensa calada, também pudera, como explicar o inexplicável?
Num país sério, essas figuras nefastas já teriam, no mínimo, sido afastadas de seus cargos há muito tempo. Na verdade, deveriam ser presas, e tudo que elas fizeram por lá deveria ser anulado, e a quantia pornográfica, devolvida.
Anotem: vai acabar em pizza e gargalhadas (deles). O Brasil é o país dos escândalos!
(*) Advogado, analista de TI e editor do site O Boletim
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