O Banco Master voltou ao centro do noticiário nacional após uma série de reportagens apontar que influenciadores digitais teriam sido financiados para defender Daniel Vorcaro nas redes sociais. Em meio à repercussão do caso, o banqueiro recorreu ao STF, onde encontra o acolhimento de Toffoli, para rebater as acusações e afirmou que é vítima de uma campanha difamatória. Coitadinho…
A PF identificou perfis de influencers com publicações, desde o início de dezembro/25 até o início de janeiro/26, ligadas ao chamado “Projeto DV” (DV seria relacionado a Daniel Vorcaro). As publicações dizem que “pessoas comuns” seriam prejudicadas com a liquidação do Master, criticando ainda que a liquidação do Banco ocorreu em tempo recorde. Questionados pela PF, estes influencers disseram que foram procurados por empresas de mídia social a fim de que fossem feitas publicações que criticassem e que deixavam a entender que a liquidação do Master iria prejudicar o trabalhador.
A suspeita é de que Daniel Vorcaro teria iniciado o financiamento destes influencers para ataques coordenados ao BC. Isso ainda antes ainda da liquidação de seu banco. Suspeita-se que ele tenha oferecido mais de 2 milhões de reais a um influencer para postagens contra o BC. A outros, o valor proposto foi menor, de 250 ou 500 mil reais.
Claramente, a campanha suja destes influenciadores mira a inspeção no TCU que determinou inspeção urgente no Banco Central para analisar o processo que resultou na liquidação do Master. A medida, proposta por um desconhecido ministro do TCU – Jhonatan de Jesus – visa examinar documentos, reconstruir o processo decisório da autoridade monetária e avaliar se houve motivação, coerência e proporcionalidade no caso. Isso é, claramente, uma ameaça à autonomia e à independência do BC.
A Inteligência da PF foca no fluxo financeiro. “Follow the money”! O objetivo é descobrir se o dinheiro usado para pagar a rede de influenciadores saiu das contas de Daniel Vorcaro ou de empresas ligadas ao Master, o que configuraria obstrução de justiça e uso de recursos de origem ilícita para atacar órgãos de Estado.
A defesa de Vorcaro, evidentemente, nega qualquer contratação e que não financiou os ataques ao Banco Central e nem coordenou qualquer ação digital. Segundo a defesa, há uma disseminação contínua de notícias falsas e informações distorcidas com o objetivo de desgastar o banqueiro. No pedido enviado ao STF, os advogados afirmam que associar o banqueiro às postagens feitas por influenciadores é uma conclusão precipitada, sem provas, e que ignora o devido processo legal. Eles pedem que a Justiça investigue a origem das publicações e identifique quem estaria por trás do que chamam de “ataque reputacional”.
Agora vamos falar das redes sociais e desses influencers.
Ou suas manifestações nas redes sociais estão inclusas na liberdade de expressão e são manifestações legítimas, ou é uma estratégia financiada para pressionar instituições do Estado, principalmente, o BC. Se os influencers podem criticar o BC, então qualquer um pode criticar outras Instituições, como por exemplo, o STF, o TSE etc…, não é?
Mas o “vice-versa” funciona? Ou seja, se um ministro do STF criticar, manipular ou impedir transparência, vale como manifestação legítima ou como estratégia para descredibilizar? Vale lembrar que o “inquérito do fim do mundo” teria se iniciado a partir de fatos pontuais e, ao longo do tempo, ter assumido contornos amplos e pouco delimitados.
Ouvi de alguns juristas, especializados em Direito Constitucional uma preocupação com relação aos desdobramentos do novo inquérito instaurado pela PF para apurar os supostos financiamentos.
A investigação inicial foi aberta para identificar os influencers e seus financiadores, numa campanha de desinformação forçada a fim de macular a imagem para descredibilizar o Banco Central. No entanto, esse inquérito parece querer atingir parlamentares.
Como se sabe, a decisão de liquidar o Banco Master não foi súbita. A área técnica do BC mostra uma grave deterioração patrimonial e um rombo estimado em R$ 12 bi. A causa central da liquidação foram operações consideradas fraudulentas, com a venda de carteiras de crédito inexistentes ou supervalorizadas, configurando um “buraco” que ameaçava a estabilidade do sistema financeiro nacional.
Isso poderia se transformar num novo “inquérito das fake news” ou pior, num novo “inquérito do fim do mundo”!
Uma dúvida que me surgiu agora. Algum destes influencers investigados teve sua rede social suspensa, bloqueada ou algo do gênero? Não! Até agora, nenhum. Não é estranho.
(*) Advogado, analista de TI e editor do site O Boletim
AVISO:
Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião
do TMNews do Vale (Blog do professor TM) Qualquer reclamação ou reparação é de
inteira responsabilidade do comentador. É vetada a postagem de conteúdos que
violem a lei e/ ou direitos de terceiros. Comentários postados que não
respeitem os critérios serão excluídos sem prévio aviso.
Não
deixe de curtir nossa página www.profesortacianomedrado.com e no Facebook e também Instagram para
acompanhar mais notícias do TMNews do Vale (Blog do professor TM)
Envie
informações e sugestões para o TMNews do Vale
pelo e-mail: tmnewsdovale@gmail.com


Postar um comentário