A política brasileira convive há décadas com uma frustração recorrente. Escândalos graves surgem, prometem correções profundas e mobilizam a opinião pública, mas acabam em decisões tímidas, acordos silenciosos ou simples esvaziamento do debate. A expressão “acabar em pizza” deixou de ser folclore para se tornar a síntese de um padrão institucional que corrói a confiança social e enfraquece a própria democracia.
Casos recentes envolvendo o sistema financeiro, o INSS e outras estruturas sensíveis do Estado reforçam essa sensação de repetição. São episódios de grande impacto econômico e social que exigem investigações rigorosas e responsáveis. O perigo maior não é apenas o crime, mas a possibilidade de que tudo se resolva em desgaste midiático seguido de acomodação, transmitindo à sociedade a mensagem de que o sistema se protege e a ilegalidade compensa.
A experiência internacional mostra que países marcados por crises institucionais ou corrupção sistêmica só avançaram quando enfrentaram seus problemas com investigações profundas e sem seletividade. Onde houve coragem para alcançar figuras centrais do poder, surgiram reformas e fortalecimento institucional. Onde prevaleceram acordos políticos e complacência, o resultado foi estagnação e reincidência.
Nada disso dispensa a cautela jurídica. Investigações precisam respeitar o devido processo legal, a ampla defesa e os limites da legislação. Erros técnicos enfraquecem processos e favorecem a impunidade. Contudo, essa cautela não pode servir de escudo para decisões políticas travestidas de jurídicas. A lei deve ser aplicada com rigor, equilíbrio e imparcialidade, guiada por provas, não por conveniências.
Este é um ano decisivo para o Brasil, também por ser um ano eleitoral. O eleitor é chamado a discernir entre projetos comprometidos com mudanças reais e propostas que apenas repetem o velho roteiro. Chega de acabar em pizza. O país precisa optar entre a acomodação confortável e o caminho exigente da responsabilidade, da legalidade e da transformação institucional. É dessa escolha consciente que pode nascer uma democracia mais sólida.
Teobaldo Pedro
Juazeiro-BA
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