O fracasso da FLOP30



Por: Valter Bernat*

O Brasil planejou uma COP30; mas a Amazônia entregou outra. A COP30 foi pro beleléu! O Beleléu é um lugar de localização indefinida. Em alguns mapas fica além das Cucuias; em outros, faz fronteira com o Cafundó do Judas e o Raio que os parta.

Era para ser a COP da Amazônia, a COP da floresta, da responsabilidade e do exemplo. Dez anos depois do Acordo de Paris, Belém foi vendida ao mundo como palco simbólico de uma virada histórica: o planeta se reuniria no coração da floresta para provar que ainda há tempo de evitar o pior. Na prática, o que se vê é uma vitrine planetária de improviso, luxo fora de lugar, logística caótica e um governo brasileiro que abriu mão da narrativa de liderança climática para entrar na história com um apelido devastador: Flop30!!!.

A COP30 é a conferência anual da ONU sobre mudança climática. Funciona como uma cidade temporária, dividida em áreas com diferentes níveis de acesso. A Zona Azul, onde delegações negociam acordos climáticos, é a região mais restrita. A Zona Verde concentra debates, estandes e atividades abertas ao público credenciado. Não é admissível que um evento, programado há mais de um ano, tenha tantas falhas elementares e que precise de um puxão de orelha da ONU. Problemas de segurança, de goteiras e vazamentos em alguns pavilhões, banheiros sem água e locais sem climatização. Talvez tivesse sido melhor o governo brasileiro ter pedido ajuda a quem sabe. Afinal, no Brasil se realiza megaeventos e tudo corre às mil maravilhas.

Esta COP foi a de menor presença ou participação de Chefes de Estado. Se compararmos com as edições mais recentes, como a COP29 que aconteceu em Baku, no Azerbaijão, em 2024; com 59 Chefes de Estado, incluindo 29 presidentes e 30 primeiros-ministros e a COP28, que ocorreu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em 2023 teve cerca de 140 chefes de Estado.

Nestes termos, a COP30 foi um fracasso. Apenas 15 Presidentes, 11 Primeiros-ministros e 2 líderes da realeza compareceram. A ausência dos grandes líderes reflete uma possível falta de compromisso político forte de alguns países-chave.

A (des)organização

A desorganização marcou a COP30. Custos logísticos e hoteleiros abusivos em Belém: Há denúncias de preços de hospedagem extremamente altos — para muitos delegados, os valores eram proibitivos, aliado à falta de leitos, altos preços dos alimentos no local (como uma garrafa de água a 25 reais ou uma coxinha a 30 reais), falta de água, banheiros sujos, climatização inexistente ou ineficiente, ameaças de grupos criminosos e a percepção de improviso na organização, marcam o evento em Belém.

O governo brasileiro, anfitrião, recusou a proposta da ONU para subsidiar parte desses custos para delegações mais pobres. Afinal somos um país rico, não é? A falta de infraestrutura e de oferta razoável para acomodar todos os participantes agrava o problema.

A COP30 é mais teatro diplomático do que ação efetiva: discursos grandiosos, mas pouca implementação prática concreta. Algumas obras para a COP são vistas como simbólicas ou de “show político”, sem impacto real sustentável. Também há hipocrisia: por um lado, fala-se em proteger a Amazônia, e por outro lado continuam projetos polêmicos, como exploração de petróleo.

O Brasil não apresentou propostas ambiciosas concretas para metas principais de redução de emissões, o que mina a força de negociação da COP. Há estimativas de que a COP30 custou bilhões (relatos falam em ~R$ 5 bilhões) para o governo brasileiro. Para alguns, esse investimento maciço não estaria resultando em ganhos reais proporcionais, seja para a agenda climática ou para a imagem do Brasil.

A COP30 é mais um projeto de poder de Lula do que um esforço genuíno de liderança climática. É uma forma de posar como “salvador do planeta”. O problema é que essa imagem de vaidade se choca com a dura realidade. Sem avanços concretos, a COP pode ser vista como marketing verde e não como ação transformadora.

Uma verdade: a COP30 fracassou!

A segurança

A segurança foi falha: Houve um bloqueio dos Munduruku, na entrada que leva ao corredor principal da Zona Azul. Houve, também, antes da abertura da conferência, uma tentativa de entrada na Zona Azul, com empurra-empurra, enquanto lideranças indígenas queriam entregar documentos e cobrar demarcações de territórios. Em seguida, a área passou a ser vigiada por um número maior de militares e policiais armados. Mas não estávamos com a GLO em Belém? Alô Sr. Ministro da Justiça e Segurança pública, Ricardo Lewandowski, que GLO é esta?

O ponto crítico veio com a invasão da Blue Zone, área oficial de negociações, por manifestantes e grupos indígenas que se sentiram excluídos das decisões sobre seus próprios territórios. Além disso, o Comando Vermelho (CV) ameaçou paralisar o fornecimento de energia em Belém, considerada essencial para a realização da COP30, intensificando os temores sobre a segurança do evento, que foi péssima.

Este episódio fez o chefe de clima da ONU enviar uma carta formal ao governo brasileiro cobrando segurança reforçada, revisão do controle de acesso, medidas emergenciais para calor e riscos estruturais no pavilhão e garantias contra novas falhas de organização. A carta da ONU reclamando da organização da COP30 não é um detalhe, é um alerta diplomático severo!

Pra concluir, houve um incêndio no Pavilhão da Blue zone. Não podemos dizer que foi de grandes proporções, mas também não foi um “princípio de incêndio” como disse o ministro de Lula. 

O Brasil ainda está longe de cumprir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris quanto às emissões dos gases do efeito estufa, que contribuem fortemente para o aumento da temperatura global, e nas questões referentes ao desmatamento e aos incêndios florestais ilegais na Amazônia, no Cerrado e no Nordeste do Brasil. A redução desta emissão, sem toda politicagem e tentativas de ganhar pontos para as eleições de 2026, deveria ser a meta de todos, mas todos ficam tentando obter, como puderem, ganhos eleitorais.

Por outro lado, Lula, que havia dito que iria se hospedar em um “barco simples”, rejeitou o navio da Marinha, preferindo um iate alugado, o Iana III, o qual gasta cerca de 135 litros de diesel por hora, mostrando uma incongruência com o tema da COP30 quando se trata de energia limpa. O iate tem 10 suítes e Lula está hospedado com a Primeira-dama, que fez questão de mostrar sua dança a bordo.

Mais um sigilo de 100 anos: os valores do aluguel, bem como as despesas para esta hospedagem, foram colocados sob sigilo. O iate de cinco estrelas tem diária de R$ 2.700 por pessoa e o barco foi alugado de última hora – o que deve ter encarecido o valor – para satisfazer as exigências do socialista de iPhone. Uma aventura naval financiada pelo nosso dinheiro suado!

Uma outra mancada foi colocar a Primeira-dama na primeira fila das conferências, em detrimento dos presidentes que se dispuseram a vir. Alguém viu alguma Primeira-dama de algum presidente estar sentada a seu lado nas conferências?

Enfim, diante disso tudo, a COP30 virou mesmo a FLOP30!!!

(*) Advogado, analista de TI e editor do site. O Boletim

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