Um momento de reflexão! Por que estou abandonando as salas de aula.

Foto arquivo pessoal

(*) Taciano Gustavo Medrado Sobrinho

Ola´carissimo (a)s Leitore(a)s,

Nessa sexta-feira dia 22 de dezembro me reencontrei com um ex-aluno no shopping e ao me ver veio ao meu encontro e me deu um forte abraço e em seguida me perguntou: “Professor Taciano, por que o senhor deixou de dar aulas? ”  Já se aposentou? Confesso que eu não esperava uma pergunta assim bem objetiva e direta. Parei alguns segundos e respondi: “ acesse o meu blog amanhã (sábado-23/12) você irá saber os verdadeiros motivos pelos quais abandonei as salas de aula, pois se eu for relatar aqui para você tomaria seu precioso tempo e o meu". Nos despedimos, e no retorno para minha casa fui começando a pensar no questionamento do aluno, talvez pelo fato de que nem eu mesmo havia me apercebido de que necessitava dessa explicação.

Então vamos la!

Há aproximadamente 35 anos atrás (parece idade de cristo, mas foi mera coincidência), primeiramente ministrando aulas particulares para poder conseguir algum dinheiro que me possibilitasse custear as minhas despesas pessoais, já que eu estudava agronomia e o curso funcionava e ainda funciona nos dois turnos e trabalhar seria impossível conciliar, em seguida já com  esse experiência adquirida me profissionalizei pela primeira vez em uma sala de aula como profissional da educação, precisamente no dia 01 de março de 1987 a convite do saudoso Antonilio da França Cardoso, professor e diretor do colégio Dr. Edson Ribeiro, nome de fantasia e Associação Educacional Dr. José Inácio da Silva razão social. A primeira pessoa que acreditou em mim e apostou de que daria certo.

Assumi uma disciplina pesada, onde até hoje a maioria dos brasileiros não gosta – a matemática – uma das minhas grandes paixões e ainda mais desafiador, pois eu iria substituir um dos melhores professores dessa disciplina que já conheci, chamado Joaquim Pereira Neto que acabara de deixar a escola para ingressar como professor de cálculo na Famesf – hoje, o Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) do Campus III da UNEB. Nessa época eu acabará de concluir o curso de Agronomia e estava desempregado, como todos aqueles que são egressos das universidades e tem que ralar para conseguir uma colocação no mercado do trabalho. Essa oportunidade me dada pelo eminente e saudosos professor Antonilio foi quem fez despertar em mim o gosto e a paixão pela educação como professor.

Foram incontáveis os números de alunos que passaram por minhas mãos e aprenderam um pouco da ciência matemática, eu hoje não saberia quantificar. Muitos já se tornaram pais de famílias e profissionais em diversas áreas, desde da medicina, direito, educação, engenharia, politica, jornalismo e outras mais ...

Vivenciei uma época anterior ao surgimento das Novas tecnologias de Informação (NTI´s) onde  sequer internet havia, pois, a mesma só começou a engatinhar no Brasil no final dos anos 80 e início dos anos 90, precisamente em setembro de 1988 quando no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), localizado no Rio de Janeiro, conseguiu acesso à Bitnet, através de uma conexão de 9 600 bits por segundo estabelecida com a Universidade de Maryland Dois meses depois foi a vez da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que também ligou-se à Bitnet, por meio de uma conexão com o Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), em Chicago. Algum tempo depois, a Fapesp criou a rede ANSP (Academic Network at São Paulo), interligando a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Mais tarde, ligaram-se à ANSP a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). (fonte: oficinadanet.

Naquela época nos professores recorríamos aos livros excelentes de matemática existentes na época de fantásticos autores – desnecessários cita-los, quem foi da época saberá a que me refiro – e contávamos com alunos aplicados e dedicados, atenciosos em sala de aula, evidentemente ressalvando o aspecto da tenra idade deles e a fase da rebeldia , o que era prontamente aceitável. Lembro-me que na época a carga horaria de matemática era de 6 aulas semanais distribuídas entre álgebra e geometria + trigonometria.

Passados todos esses anos fui testemunha da degradação pela qual  a educação brasileira passou e vem passando, evidentemente que , sem querer ser bairrista ou preconceituoso, mas as NTI´s vieram  para ficar, isso é certo, mas como tudo na vida tem seu lado bom e ruim, elas trouxeram muitos benéficos e facilidades para o ser humano, mas também muitas coisas negativas,  e para piorar, surge as tecnologias de comunicação como os celulares, antes analógicos e até ai as coisas ainda funcionavam bem nas escolas, mas logo em seguinte eis que aparece os celulares digitais ultramodernos e com eles as chamadas redes de integração ou redes sociais.

Pronto! A partir desse marco entramos em fase da bestialidade e do emburrecimento. Segundo se propaga, o próprio Albert Eisntein havia proferido essa seguinte frase:  “Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha á nossa humanidade. O mundo só terá uma geração de idiotas." . 

A Autoria da frase pode até ser  contestada, mas a sua evidencia não. Por afirmo isso, por que quem está in locu nas salas de aulas todos os dias da semana lidando com alunos que não querem nada com nada e que se permitirem  passam 24 horas ligados nos celulares e nas redes sociais só vendo e aprendendo o que não lhe é útil e o pois sendo disseminadores de noticias falsas, as chamadas Fake News. Nem as poucas horas que passam na escola - cerca de 3 horas e 1/2 não respeitam. 

Certa feita em uma das minhas aulas de matemática financeira em um curso da educação profissional, eu ministrava um conteúdo e a maioria dos alunos pouco davam importância, era como e eu não existisse dentro da sala de aula e percebi que eles estavam mais preocupados em acessarem e ficarem lendo as mensagens do whast app e ainda tinha aquele a ou aquelas qeu soltavam gargalhadas e risos histéricos de algo engraçado que ela havia visto em algum vídeo que circulava pela internet. E esse fato não só acontecia comigo, mas com os demais colegas professores.

E o pior nem você como professor e nem a direção da escola, não poderia e não pode exigir que o aluno desligue os aparelhos e os guardem, pois contraria a tal  "pedagogia do oprimido", teoria essa que eu nunca em todos esses meus anos de docência  apliquei, pois sempre soube que ela de pedagogia não tem nada, e que deveria ser chamar "pedagogia da anarquia".

O resultado de tudo isso? 

pelo lado dos estudantes! Jovens emburrecidos, aumento de gravidez precoce em jovens de 15 anos abaixo, falta de perspectivas de futuro, aumento no consumo de álcool & drogas pelos jovens, de suicídios, de agressões a pais e professores e jovens desprovidos de limites e que acham que podem tudo, afinal as lei estão do seu lado.   

Pelo lado dos professores!

Aumento nos casos de aposentadorias precoces causadas por ocorrências de doenças ocupacionais como: Crise de estresse,  depressão, síndrome de Burnout, desestimulo e desmotivação com a profissão e outras mais.

Portanto, meu nobre ex-aluno, você,  que me questionou por que eu deixei as salas de aula, espero ter respondido. O texto foi longo mas se fez necessário.

OBSERVAÇÃO: 

Só pra esclarecer!! Estou abandonando as salas de aulas (Ensino presencial) , não a matemática e nem as outras modalidades de ensino como as remotas, On line , EAD !!

Atualizada as 12:24h do dia 26/12/2022

(*) Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESA - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco Atuou como professor do Instituto Federal de Educação, ciência e tecnologia do sertão Pernambucano - Campus de Petrolina-Pe , ministrando a disciplina Engenharia Econômica no curso de Técnico em Sistemas de Energia Renováveis com carga horaria de 30 horas no primeiro semestre de 2017. Professor substituto da UNIVASF,, nas áreas de Agronegócio, Contabilidade e Gestão e Negócios com ênfase em Engenharia Econômica e Análise de Investimentos., Economia, lotado no Colegiado de Engenharia da Produção no período de Março de 2013 a Março de 2015. Exerceu a função de professor- tutor em EAD -Ensino na modalidade a Distância, pela Kali Assessoria de Serviços Administrativos e de Informática Ltda no período Janeiro de 2008 a Outubro de 2009 e Professor Tutor pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Bahia-FTC no período de Novembro de 2009 a Julho de 2012 com vínculo empregatício em ambos , regido pela CLT e Professor do CETEP- Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco da SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA- SEC. do período de Junho de 2009 a Maio de 2013 , aprovado em seleção pública - REDA. Atualmente é professor do CEEP - CENTRO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO NORTE BAIANO, aprovado em seleção publica realizado em junho de 2015 tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Elaboração de projetos agrícolas, bem como experiência na área de administração como Superintendente de Instalação Operacional de Base de Derivados de Petróleo por 08 anos pela Esso Brasileira de Petróleo Limitada. Possui experiência como Docente nas disciplinas de Matemática de 2º Grau e Matemática financeira por mais de 20 anos. Docente de nível superior por mais de 05 anos e em atividade.


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