A presidente de Taiwan,
Tsai Ing-wen, em sua posse como presidente da ilha, em maio de 2016 (Foto:
Divulgação/Governo de Taiwan)
Da Redação
A
presidente de Taiwan, Tsai
Ing-wen, disse no domingo (10) que a ilha “não se curvará” à China e continuará
a defender sua democracia, frente à pressão de Beijing para retomar o controle
sobre a ilha autogovernada. A declaração fez parte do discurso de celebração do
Dia Nacional de Taiwan, em um evento realizado na região central de Taipé,
segundo a agência catari Al
Jazeera.
Tsai
indicou que a solução do impasse entre Beijing e Taipé deve ser primordialmente
democrática e que, por isso, não pretende “agir precipitadamente” diante da
pressão imposta pelo governo da China. Porém, reforçou que “não deve haver
absolutamente nenhuma ilusão de que o povo taiwanês se curvará à pressão”.
Na
sequência, a presidente adotou um tom mais duro e prometeu “continuar a reforçar
nossa defesa nacional e demonstrar nossa determinação em nos defender
para garantir que ninguém possa forçar Taiwan a seguir o caminho que a China
traçou para nós”. E prosseguiu: “Isso ocorre porque o caminho traçado pela
China não oferece um modo de vida livre e democrático para Taiwan, nem
soberania para nossos 23 milhões de habitantes”.
A
declaração da líder taiwanesa surge em meio ao aumento
da tensão entre os dois governos. Na semana passada, a China fez a
maior incursão já registrada no espaço aéreo de Taiwan, com o envio de 149
aeronaves militares. Foi um recado claro para que a ilha abandone as pretensões
de independência formal, sob risco de uma ação
militar de Beijing.
As
palavras também servem como resposta direta ao presidente chinês Xi
Jinping, que abordou a questão no sábado (9). “O separatismo pela
independência de Taiwan é o maior obstáculo para alcançar a reunificação da
pátria mãe e o perigo oculto mais sério para o rejuvenescimento nacional”,
disse ele no aniversário da revolução que derrubou a última dinastia imperial
em 1911.
Por
que isso importa?
Taiwan
é uma questão
territorial sensível para os chineses. Relações exteriores que tratem
o território como uma nação autônoma estão, no entendimento de Beijing, em desacordo com o
princípio defendido de “Uma Só China“, que também encara Hong Kong como
território chinês.
Diante
da aproximação do governo taiwanês com os Estados Unidos, a China endureceu
sua retórica contra as reivindicações de independência da ilha
autônoma no ano passado.
Embora
não tenha relações diplomáticas formais com Taiwan, assim como a maioria dos
países do mundo, os EUA são o mais importante financiador internacional e
principal fornecedor de armas da ilha, o que causa imenso desgosto a Beijing,
que tem adotado uma postura belicista na tentativa de controlar a situação.
Jatos
militares chineses passaram a realizar
exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan, e agora
habitualmente invadem o espaço aéreo da ilha, deixando claro que a China não
aceitará a independência do território “sem
uma guerra”.
O embate,
porém, pode não terminar em confronto
militar, e sim em um bloqueio total da ilha. É o que apontaram relatórios
produzidos pelos EUA e por Taiwan em junho, de acordo com o site norte-americano Business
Insider.
O
documento, lançado pelo governo taiwanês no ano passado, pontua que Beijing não
teria capacidade de lançar uma invasão em grande escala contra a ilha. “Uma
invasão provavelmente sobrecarregaria as forças armadas chinesas”, concordou o
relatório do Pentágono.
Caso
ocorresse, a escalada militar criaria um “risco político e militar
significativo” para Beijing. Ainda assim, ambos os documentos reconhecem que a
China é capaz de bloquear Taiwan com cortes dos tráfegos aéreo e naval e
das redes de informação. O bloqueio sufocaria a ilha, criando uma reação
internacional semelhante àquela que seria causada por uma eventual ação
militar.
Para ler mais acesse, www: professortacianomedrado.com
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