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ONDE O PLÁSTICO É PROIBIDO NO MUNDO
Por Josélia Pegorim
À medida que o mundo lentamente
desperta para a escala do problema da poluição plástica, um número crescente de
países e cidades tem introduzido proibições de certos produtos. As medidas não
apenas podem ajudar a impedir que plásticos poluam os ecossistemas marinhos,
mas também enfrentam o mito de que podemos nos livrar do problema por meio da
reciclagem.
Além do
fato de que apenas 9% das 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidas entre
1950 e 2015 foram recicladas, muitos dos produtos plásticos fabricados
atualmente não são realmente recicláveis.
A DW
analisou algumas das proibições mais recentes ao redor do mundo – inclusive no
Brasil – que podem ajudar a conter o fluxo de produção de lixo plástico.
União Europeia: plásticos descartáveis
Talheres,
copos, pratos e cotonetes com hastes de plástico fazem parte de uma seleção de
produtos plásticos descartáveis que serão proibidos na União Europeia (UE),
segundo decisão tomada em março pelo Parlamento Europeu.
A ser
totalmente implementado em 2021, o veto visa "combater o lixo marinho
proveniente de dez produtos plásticos de uso único mais encontrados nas praias
europeias".
Em
junho, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) apontou que 70 mil toneladas de
lixo plástico acabam no Mar Mediterrâneo anualmente – o equivalente a despejar
33.800 garrafas plásticas no mar a cada minuto.
Parte
de uma estratégia da UE sobre o plástico que visa garantir que todas as embalagens
plásticas sejam reutilizáveis ou recicláveis até 2030, a nova proibição de
produtos descartáveis não abrange sacolas ou garrafas plásticas. No entanto, o
bloco afirmou que pretende tratar a questão das garrafas separadamente, além de
coletar e reciclar 90% delas na próxima década.
A União
Europeia é o maior exportador de lixo plástico do mundo. Se considerado só um
país, os Estados Unidos ficam com o posto de maior exportador de dejetos
plásticos globalmente.
Em
2017, a Alemanha enviou mais de 340 mil toneladas de lixo plástico para a
China. Como Pequim fechou as portas para o lixo plástico do Ocidente com uma
legislação mais rígida no começo de 2018, outros países asiáticos se tornaram
alvo para os carregamentos, especialmente Malásia, Indonésia e Filipinas.
Segundo
o Greenpeace, de janeiro a julho de 2018, cerca de 754 mil toneladas de lixo
plástico global acabaram na Malásia – a Alemanha estava entre os quatro
principais exportadores. No entanto, países do Sudeste Asiático começaram a
enviar contêineres de volta aos seus países de origem – os casos mais recentes
foram Canadá e Espanha.
Brasil: proibição de canudos e sacolas plásticas
O
Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo – atrás apenas de
EUA, China e Índia. Por ano o país gera 11,3 milhões de toneladas – número três
vezes maior que sua produção de café, por exemplo. Para combater essa
tendência, algumas cidades decretaram leis que proíbem canudos e outros
plásticos descartáveis.
Nesta
semana, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), sancionou um projeto de
lei que prevê a proibição de fornecimento de canudos plásticos em
estabelecimentos comerciais da cidade: hotéis, restaurantes, bares, padarias,
danceterias ou eventos musicais.
A medida segue o exemplo de outras cidades como Fortaleza,
Salvador e Santos, além de todo o estado do Rio Grande do Norte. O Rio de
Janeiro foi a primeira cidade brasileira a banir canudos plásticos.
Também no Rio, mas em todo o estado, começou a
valer nesta semana uma nova lei que proíbe supermercados de oferecer sacolas
plásticas a seus clientes. Os estabelecimentos foram obrigados a substituí-las
por itens similares feitos de materiais renováveis. O estado do Rio espera
reduzir em até 3 bilhões por ano o número de sacolas plásticas em circulação.
Vanuatu: banimento de fraldas descartáveis
A
minúscula ilha no Oceano Pacífico tem sofrido com a sobrecarga de resíduos
plásticos. Depois de impor uma proibição estrita de sacolas plásticas, canudos
e recipientes de poliestireno em julho de 2018, e expandi-la neste ano para
incluir itens como pratos, talheres e copos de plástico e recipientes para
alimentos, Vanuatu se tornou o primeiro país do mundo a proibir fraldas
descartáveis.
Como
essas fraldas são feitas de uma combinação de plástico e polpa de madeira, elas
acabam em aterros por algumas centenas de anos – e Vanuatu já está sofrendo com
a falta de espaço para aterrar seu lixo. Assim, as crianças do país insular
terão de usar fraldas de pano laváveis, tal como nos velhos tempos.
"Vanuatu
está salvaguardando seu futuro. Eventualmente, os plásticos seguem seu caminho
para a água e para a cadeia alimentar", disse Mike Masauvakalo, do
Ministério das Relações Exteriores do país, após a proibição ter sido anunciada
neste mês.
Canadá: garrafas, sacolas e impasse com as Filipinas
O
primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse que se inspirou diretamente
na decisão do Parlamento da União Europeia quando anunciou uma similar
proibição de plásticos descartáveis neste mês.
A medida
que entra em vigor em 2021 será ainda mais abrangente do que a estipulada pelo
bloco europeu – garrafas de plástico e sacolas de compras se incluem na gama de
produtos banidos. O Canadá estima que usa cerca de 15 bilhões de sacolas
plásticas por ano e 57 milhões de canudos de plástico por dia – menos de 10%
desses materiais são recicláveis.
Trudeau
concentrou-se especialmente na destruição das linhas costeiras do Canadá, que,
com cerca de 202 mil quilômetros, são as mais longas do mundo.
"É
difícil tentar explicar isso para os meus filhos. Como você explica as baleias
mortas nas praias em todo o mundo, com seus estômagos repletos de sacolas
plásticas?", indagou o primeiro-ministro, acrescentando que lixo plástico
pode ser encontrado no "ponto mais profundo do Oceano Pacífico".
No
entanto, considerado um dos países mais ávidos em prol da defesa do meio
ambiente, o Canadá se viu confrontado com um escândalo ecológico no final de
maio, quando as Filipinas anunciaram ter enviado 69 contêineres com
aproximadamente 1.500 toneladas de lixo plástico de volta a Vancouver. Segundo
Manila, o entrevero com o Canadá sobre dejetos plásticos impróprios para
reciclagem perdurava desde 2014.
Indonésia: adeus às sacolas plásticas
Lançada
em 2013 pelas irmãs adolescentes Melati e Isabel Wijsen, a iniciativa Bye Bye
Plastic Bags ajudou a pressionar o governo da Indonésia a aprovar uma proibição
de plásticos descartáveis que entrou em vigor neste mês.
As
novas regulamentações sobre sacolas, canudos e poliestireno foram saudadas por
jovens defensores do movimento local em defesa de uma sociedade livre de
plásticos, que testemunharam que seu litoral outrora intocado ficou repleto de
lixo plástico descartável. "Um paraíso perdido. Bali, a ilha do lixo",
foi como Melati descreveu a situação durante uma palestra do TED em 2016.
"Supermercados
e restaurantes da ilha já tinham começado a se preparar mudando para formas
mais tradicionais de embalagem", comunicou o projeto Bye Bye Plastic Bags
após a proibição ter entrado em vigor. "Alguém viu as folhas de bananeira
como embalagens?"
A
legislação faz parte do Plano Nacional de Ação da Indonésia que visa o
gerenciamento de detritos plásticos marinhos para reduzir os plásticos no
oceano em 70% até 2025.
Tanzânia: prisão e multas
Após a
proibição de sacolas plásticas em Ruanda, Uganda, Quênia, Sudão do Sul e
Tunísia, a Tanzânia é o mais recente país africano a banir o produto. A nova
lei – assim como algumas outras no continente – é bastante draconiana: aqueles
flagrados vendendo ou fabricando sacolas plásticas podem receber até dois anos
de prisão ou uma multa de 357 mil euros (1,5 milhão de reais). Pessoas
apanhadas usando as sacolas estão sujeitas a multas menores.
A
eliminação progressiva de plástico não biodegradável não se aplica apenas à
produção, importação, venda e uso de todos os sacos plásticos descartáveis: os
visitantes da Tanzânia também estão sendo solicitados a entregar tais sacolas
antes de entrar no país, lar de destinos emblemáticos como o Monte Kilimanjaro.
"Estamos
felizes", disse o diretor do WWF na Tanzânia, Amani Mgusaru, depois que a
proibição foi introduzida. "Demora mais de 100 anos para um único saco
plástico se decompor."


Excelente artigo! Realmente um pensamento sustentável é de grande valia para o direito e o respeito ao meio ambiente.
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