Somente
no fim do século XVII, à sombra protetora da árvore – mãe do sertão, o JUAZEIRO,
começa a surgir o que hoje se constitui num dos mais importantes núcleos
urbanos do interior nordestino.
Foi
aqui que nasci a 58 anos atrás, na outrora chamada de “Passagem do Juazeiro “ , ali na Rua XV de novembro com um pedacinho
da Praça Ivo Braga ou “Praça do Boi”, já vivi quase 42% da idade que Juazeiro tem.
De
lá pra cá muitos fatos se sucederam, me vi criança, joguei bola na rua, e nos
campinhos de terra apelidados de “campelão”, e"Adelhão" , que hoje não existe mais, no lugar
se ergue um majestoso condomínio de prédios, que em nada lembra o nosso “campinho” ,
Quem
da minha geração não se lembra da roça de “Juca
Bomba” onde na traquinice de menino “invadíamos” pra comer magas e cajús caídos
das fruteiras vigorosas, ao ponto de se desperdiçar no chão, quantas vezes
saímos correndo com medo dos capatazes de “Juca Bomba” .
Quem
não se lembra dos maravilhosos bailes domingueiros das sociedades 28 de
Setembro e Apolo, e quantos namoros não surgiram ali, e construídos casamentos
que até hoje perduram. Hoje ambas agonizam abandonadas a pedir socorro - ninguém
os ouve!
Como
todo “moleque, quebrei vidraças da vizinhança, joguei pião, empinei arraia construir
amizades quando adulto, estudei e me formei e há 31 anos contribuo com a educação
do meu município como professor.
Hoje,
vejo tudo isso abandonado pelos sucessivos governos municipais, vejo uma cidade
sem identidade, onde seus cidadãos não nutrem o mesmo orgulho, saio as ruas e
não encontro mais a “minha Juazeiro” , não reconheço mais as pessoas, ando como
um órfão a procura de seus país. Cadê os prédios e casas centenárias? cadê o histórico
palácio da rua da 28 de setembro? Cadê a belíssima mansão da família “Barbosa
da Cunha”? todos foram destruídos para dar lugar a pontos comerciais e bancárias.
Poderia
me alongar nessa viagem, mas isso deixarei para quando for escrever as minhas
memórias como filho de Juazeiro.
Hoje
quero apenas chorar, não tenho o que comemorar, não há o que comemorar! Há só o
que se lamentar!
Mas
uma coisa é certa, “eles” podem tirar tudo de Juazeiro, mas não tirarão os registros
de uma vida vivida da minha memória, essa só se apagará quando os meus olhos
cerrarem para sempre!
Que
as lagrimas de felicidades de antes seja maior que as lagrimas da tristeza de
hoje!
JUAZEIRO TU ÉS E SEMPRE SERÁS AMADA!
Taciano Gustavo Medrado Sobrinho
Um cidadão juazeirense “órfão”





Boas lembranças... triste atualidade!
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