A
conta das promessas e dos acordos firmados durante a campanha eleitoral chegou.
E quem vai pagar, mais uma vez, é o bolso do brasileiro.
Olá caríssimos,
Vou iniciar
esse meu editorial com a seguinte frase: “ mais de 59 milhões de brasileiros
não carregam essa culpa”.
O governo
Lula 4 (PT) planeja iniciar seu quarto mandato, em 5 de janeiro de 2027, com
uma estrutura composta por 40 ministérios, o maior número desde a
redemocratização do país. A proposta de ampliação da Esplanada dos Ministérios
reacende o debate sobre o tamanho da máquina pública, os gastos com a estrutura
administrativa e o verdadeiro preço das alianças políticas firmadas para
garantir governabilidade.
A
expansão ministerial não parece ser apenas uma questão de organização
administrativa. Por trás da criação de novas pastas está também a necessidade
de cumprir promessas de campanha, contemplar aliados políticos e acomodar
partidos do chamado Centrão, numa tentativa de assegurar apoio no Congresso
Nacional.
O detalhe
é que, enquanto os acordos políticos são celebrados nos bastidores do poder, a
conta fica para o contribuinte brasileiro pagar.
O recorde
anterior pertence à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que chegou a administrar
uma Esplanada com 39 ministérios em seu segundo mandato. Atualmente, o governo
conta com 38 pastas. Lula iniciou seu terceiro mandato, em janeiro de 2023, com
37 ministérios, número que poderá chegar a 40 caso o planejamento para 2027
seja concretizado. Para efeito de comparação, o governo Fernando Collor, em
1990, começou com apenas 16 ministérios.
A
pergunta que não quer calar é: o Brasil precisa realmente de 40 ministérios
para funcionar?
Não se
trata de questionar a importância de determinadas áreas da administração
pública, tampouco de negar a necessidade de políticas públicas específicas. O
que precisa ser discutido é se a multiplicação de ministérios representa, de
fato, melhoria na prestação dos serviços públicos ou se atende
predominantemente aos interesses de uma engenharia política voltada à
distribuição de cargos e espaços de poder e favorecimento aos “cumpanheiros”.
Ministérios
significam estruturas administrativas, gabinetes, cargos de confiança,
assessorias, servidores, despesas operacionais e toda uma cadeia de custos que
precisa ser sustentada com dinheiro público. Mesmo que algumas dessas
estruturas sejam reorganizadas ou aproveitem recursos já existentes, a
ampliação da máquina exige transparência sobre seus custos e resultados.
O governo
Lula 3 já enfrenta um rombo de mais de 11 trilhões nas contas públicas e o país enfrenta problemas históricos na
saúde, na educação, na segurança pública, na infraestrutura e no equilíbrio das
contas públicas. Diante desse cenário, seria razoável esperar do governo uma
política de racionalização administrativa, redução de desperdícios e melhor
aplicação dos recursos arrecadados da população.
Mas, ao
que tudo indica, a prioridade continua sendo ampliar espaços dentro da
estrutura do poder.
O
Brasil não precisa necessariamente de mais ministérios. Precisa de mais eficácia
administrativa, responsabilidade fiscal e compromisso com quem paga a conta: o
cidadão brasileiro.
Afinal,
promessa de campanha não é cheque em branco, como os mais de 64 milhões de eleitores
deram a Lula, e acordos políticos não podem ser confundidos com autorização
para transformar a máquina pública em instrumento de acomodação de interesses
partidários.
No fim
das contas, a velha fórmula continua a mesma: o poder negocia, os aliados
ocupam seus espaços e o contribuinte paga a fatura.
(*) TMNews
do Vale – veículo de comunicação independente que que aproxima, com
credibilidade e sem meias verdades.


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