ECONOMIA EM ALERTA: Governo Lula 4 pode receber um país à beira da estagflação em 2027

 

Mercado financeiro reduz projeções de crescimento, eleva estimativas de inflação e acende o sinal vermelho para o início do próximo mandato presidencial.


foto TMNews  do Vale 


Por: Taciano Medrado*


Olá caríssimos, 


Vou iniciar esse meu artigo explicando o que significa  ESTAGFLAÇÃO e quais as suas consequências para um pais.


Estagflação é um fenômeno econômico considerado um dos mais preocupantes para qualquer país. Ocorre quando a economia enfrenta, simultaneamente, inflação elevada (aumento persistente dos preços), baixo crescimento econômico ou estagnação da atividade produtiva e, em muitos casos, aumento do desemprego. Na prática, significa que o cidadão perde poder de compra porque os preços sobem, enquanto a economia não cresce o suficiente para gerar mais empregos, renda e oportunidades. É uma combinação particularmente difícil de combater, pois as medidas utilizadas para controlar a inflação podem acabar prejudicando ainda mais o crescimento econômico.


O cenário econômico brasileiro para 2027 começa a despertar preocupação entre analistas do mercado financeiro e instituições bancárias. Projeções recentes apontam para a possibilidade de o país enfrentar um quadro de estagflação, fenômeno econômico caracterizado pela combinação de inflação elevada com crescimento econômico fraco ou praticamente estagnado.


As perspectivas preocupam porque indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá iniciar seu quarto mandato, caso se confirme sua reeleição, diante de um ambiente econômico adverso, marcado por baixo crescimento, pressão inflacionária e juros elevados.


Os números apresentados por instituições como o Itaú BBA e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) reforçam o alerta sobre os desafios que poderão marcar a economia brasileira no próximo ano.


PIB mingua, inflação avança e juros continuam elevados


As revisões das projeções econômicas revelam uma deterioração das expectativas para 2027.


Crescimento econômico (PIB): O Itaú BBA reduziu sua estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,2% para apenas 0,5%. Já a Anbima revisou sua projeção de 1,34% para 1%.


Inflação (IPCA): No sentido contrário, a expectativa de inflação subiu. O Itaú BBA elevou sua projeção de 4,6% para 6,1%, percentual significativamente superior ao teto de 4,5% da meta de inflação. A Anbima também revisou sua estimativa, passando de 4,3% para 4,9%.


Taxa de juros (Selic): Diante das pressões inflacionárias, a perspectiva de redução dos juros perdeu força. Segundo as projeções apresentadas, o Itaú BBA passou a trabalhar com a possibilidade de manutenção da Selic em 13,75% ao ano durante todo o ano de 2027.


O conjunto desses indicadores aponta para uma combinação preocupante: crescimento econômico insuficiente, inflação pressionada e crédito mais caro, fatores que podem comprometer o consumo das famílias, os investimentos empresariais e a geração de empregos.


O fantasma da era Dilma volta a assombrar a economia


O receio de parte do mercado financeiro é que o Brasil volte a enfrentar um processo de deterioração econômica semelhante ao observado durante os anos mais difíceis do governo Dilma Rousseff, quando a combinação de desequilíbrio fiscal, perda de confiança e recessão aprofundou a crise econômica brasileira.


Embora os cenários não sejam necessariamente idênticos, algumas preocupações voltam a aparecer no radar dos economistas.


Entre os principais fatores de risco estão:


Endividamento elevado: famílias, empresas e governo enfrentam compromissos financeiros que limitam a capacidade de consumo, investimento e expansão econômica.


Insegurança fiscal: persistem questionamentos sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade do governo de controlar o crescimento das despesas.


Ausência de um ajuste fiscal convincente: a falta de medidas concretas e consistentes para equilibrar as contas públicas alimenta a desconfiança dos agentes econômicos.


Incertezas tributárias e regulatórias: possíveis mudanças na tributação, na jornada de trabalho e na política de subsídios também entram na conta dos riscos para a atividade econômica.


A conta da política econômica pode chegar ao bolso do brasileiro


O problema é que os efeitos de um eventual estagflação não ficam restritos às planilhas dos economistas ou aos relatórios dos bancos. Eles chegam diretamente à vida do cidadão.


Com inflação elevada, o poder de compra diminui. Com crescimento econômico fraco, as oportunidades de emprego e renda podem ser comprometidas. E, com juros persistentemente altos, financiamentos, empréstimos e investimentos ficam mais caros.


É uma combinação que penaliza principalmente a população de menor renda, que sente primeiro e com maior intensidade os efeitos da perda do poder aquisitivo.


NOSSO EDITORIAL


O Brasil não pode continuar tratando o equilíbrio das contas públicas como uma questão secundária, muito menos acreditar que o crescimento econômico acontece por decreto ou por discursos otimistas.


Um governo que pretende ampliar políticas públicas, distribuir benefícios e sustentar uma máquina administrativa cada vez maior precisa, antes de tudo, demonstrar de onde virão os recursos para pagar essa conta.


A responsabilidade fiscal não é uma pauta exclusiva do mercado financeiro, tampouco uma bandeira ideológica. É uma necessidade econômica que interessa a todos os brasileiros.


Se as projeções pessimistas se confirmarem, 2027 poderá começar com uma combinação indigesta: crescimento quase zero, inflação acima da meta e juros nas alturas.


O Brasil não precisa de mais promessas. Precisa de gestão, responsabilidade fiscal e compromisso com o futuro. Afinal, quando a conta não fecha em Brasília, quem acaba pagando a diferença é o cidadão brasileiro.


Com informações do Gazeta do Povo


(*) Ex-Professor substituto da Univasf  de Economia, Engenharia Econômica, Análise de Investimentos 



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