Foto criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio da ferramenta de geração de imagens da I.A
Da redação*
Nesse ano eleitoral volta a circular nas redes sociais e grupos de Whas app uma declaração presidencial que atravessou, na época, o debate sobre segurança nas escolas e provocou críticas de entidades ligadas à saúde mental e aos direitos das pessoas com deficiência.
Há declarações de um presidente da República que entram para a história pelos seus feitos. Outras, porém, permanecem na memória coletiva por frases que provocam constrangimento, questionamentos e repercussão nacional.
Na coluna Reminiscências, o TMNews do Vale resgata um episódio ocorrido em 18 de abril de 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante uma reunião em Brasília com ministros e governadores, abordou a saúde mental e a prevenção da violência nas escolas.
O encontro tinha como pauta a segurança no ambiente escolar, em meio à preocupação nacional com episódios de violência registrados em instituições de ensino.
A DECLARAÇÃO
Ao discursar, Lula mencionou dados que atribuiu à Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo os quais 15% da população mundial teria algum tipo de problema relacionado à saúde mental ou deficiência mental.
A partir dessa referência, o presidente fez uma afirmação que rapidamente ganhou repercussão.
A frase
“A OMS sempre afirmou que na humanidade deve haver 15% de pessoas com algum problema de deficiência mental [...]. Significa que temos quase 30 milhões de pessoas com problema de desequilíbrio de parafuso, pode uma hora acontecer uma desgraça”.
A expressão utilizada pelo chefe do Executivo federal provocou reações e abriu espaço para um debate sobre a responsabilidade da linguagem empregada por autoridades públicas, sobretudo quando o assunto envolve saúde mental e pessoas com deficiência.
REPERCUSSÃO E CRÍTICAS
Acusação de capacitismo
Entidades de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ativistas e representantes da área médica, incluindo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), criticaram o emprego da expressão “desequilíbrio de parafuso”, considerada pejorativa e carregada de preconceito.
O termo foi apontado como uma manifestação de capacitismo, conceito utilizado para caracterizar atitudes, expressões e práticas discriminatórias contra pessoas com deficiência.
Associação indevida
Especialistas também questionaram a associação entre transtornos mentais, deficiência intelectual e a possibilidade de atos violentos ou criminosos.
Para os críticos, esse tipo de declaração pode reforçar estigmas sociais, contribuindo para a marginalização de pessoas que convivem com condições de saúde mental.
A discussão ultrapassou a questão semântica e alcançou a responsabilidade institucional de quem ocupa a Presidência da República.
A RETRATAÇÃO
Dias após a repercussão negativa, Lula utilizou suas redes sociais para pedir desculpas pela declaração.
O presidente reconheceu que errou ao empregar aquela expressão e afirmou estar em constante aprendizado sobre o tema.
A retratação foi divulgada pelo portal Congresso em Foco.
Independentemente de preferências partidárias ou ideológicas, declarações públicas de autoridades merecem ser lembradas, contextualizadas e examinadas pela sociedade.
Afinal, a palavra de um presidente da República possui peso institucional e alcança milhões de brasileiros.
O episódio de abril de 2023 permanece como um registro de uma fala presidencial que provocou críticas, exigiu retratação e reacendeu o debate sobre a responsabilidade no uso das palavras.
O TMNews do Vale resgata essa passagem da história política brasileira não para desrespeitar pessoas que convivem com transtornos mentais, mas para preservar a memória de um episódio que marcou o debate público nacional.
Porque, na política, o tempo passa, os discursos ficam e a memória não pode ser seletiva.
(*) TMNews do Vale — Jornalismo Independente e sem meias verdades
Fonte complementar: Congresso em Foco — Lula pede desculpas depois de fala desastrada
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