O TIRO SAIU PELA CULATRA : Mandado de busca e apreensão envolvendo Dino+(STF) contra produtora do filme Dark Horse ganha novo capítulo. Entenda!

Documento registrado em cartório relata supostas pressões e ameaças para que empresária fizesse delação contra Flávio Bolsonaro

Foto criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio da ferramenta de geração de imagens da I.A

Por Taciano Medrado*

Uma operação da Polícia Federal na produtora responsável pelo filme Dark Horse teria localizado um documento registrado em cartório no qual a empresária Karina relata ter sido procurada por pessoas que, segundo seu depoimento, afirmavam possuir proximidade com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e integrantes do Governo Federal.

O documento ganhou repercussão por trazer relatos de supostas pressões para que a empresária realizasse uma colaboração premiada e apresentasse informações que pudessem prejudicar o deputado federal Flávio Bolsonaro.

Segundo a declaração registrada em cartório, a empresária afirma que foi procurada inicialmente pelo advogado Fernando Sarney, em 20 de maio de 2026. O contato teria ocorrido efetivamente dois dias depois, em 22 de maio, às 9h07.

Ainda de acordo com o documento, Sarney teria oferecido apoio jurídico e afirmado possuir “grande proximidade” com o ministro Flávio Dino. Na conversa, segundo a empresária, ele teria mencionado a possibilidade de ajudá-la caso tivesse interesse em realizar uma delação premiada.

Karina afirma que recusou a proposta.

“Não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida”, declarou a empresária no documento.

Ela também afirma que sua intenção sempre foi esclarecer os fatos por meio da apresentação de documentos e do exercício do direito de defesa.

OUTRAS ABORDAGENS

Ainda segundo o documento, a empresária teria sido procurada por outras duas pessoas.

Uma delas seria um pastor conhecido de Karina, que, conforme seu relato, afirmou possuir proximidade com pessoas ligadas ao Governo Federal e com ministros do Supremo Tribunal Federal.

O terceiro interlocutor seria um jornalista, que, segundo a declaração registrada, teria afirmado que, caso ela não aceitasse fazer uma colaboração premiada, poderia ser alvo de medidas judiciais.

O documento relata ainda que, conforme o contexto apresentado à empresária pelos interlocutores, ela poderia sofrer operações policiais caso não concordasse em assumir supostas irregularidades na produção do filme.
Karina sustenta que isso significaria, em suas palavras, “dizer mentiras”, já que não reconhecia a existência das irregularidades apontadas.

A QUESTÃO QUE AGORA SE IMPÕE

O caso ganha uma dimensão ainda mais delicada diante do fato de que a empresária, posteriormente, passou efetivamente a ser alvo de medidas judiciais.

É justamente esse ponto que levanta questionamentos: as abordagens relatadas no documento foram apenas coincidências ou havia, de fato, informações antecipadas sobre possíveis medidas que seriam tomadas contra ela?

O documento, por si só, não comprova que Flávio Dino tenha determinado, participado ou sequer tivesse conhecimento das supostas abordagens. Também não estabelece, automaticamente, relação causal entre os contatos relatados e as medidas judiciais posteriormente adotadas.

Mas o conteúdo é suficientemente grave para provocar questionamentos e exigir esclarecimentos das autoridades responsáveis.

Se confirmadas as circunstâncias narradas pela empresária, o episódio poderá representar uma questão de grande relevância institucional: até que ponto uma pessoa investigada pode ter sido pressionada a produzir uma delação premiada sob ameaça de sofrer medidas judiciais?

O caso agora coloca sob os holofotes não apenas a investigação envolvendo a produção de Dark Horse, mas também os bastidores das supostas abordagens feitas à empresária.

A pergunta que fica é direta: quem sabia que as medidas judiciais viriam — e por quê?

(*) O TMNews do Vale continuará acompanhando o caso e os desdobramentos das investigações.

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