Fachin adia debate no plenário do STF sobre fake news de Nossa Senhora


O ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu adiar o debate no plenário da Suprema Corte sobre a fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

Fachin havia sinalizado que pretendia levar o caso para análise do plenário nesta quarta-feira (30). O assunto, no entanto, não foi incluído na pauta.

A CNN mostrou que a possibilidade de o episódio sobre a fake news de Nossa Senhora Aparecida ser avaliado pelo plenário físico representa uma nova divisão no STF.

Magistrados ouvidos pela CNN afirmavam que o risco seria grande de que um julgamento presencial poderia criar um desgaste desnecessário para a Suprema Corte às vésperas do primeiro turno e que o ideal seria deixá-lo para a semana que vem.

O diagnóstico, porém, era de que, diferentemente da sessão sobre o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes, Fachin precisaria ter pulso firme e evitar que a análise do novo caso se tornasse uma disputa política.

A definição sobre a controvérsia buscava dar uma resposta colegiada célere em meio a decisões conflitantes de ministros e reduzir a tensão poucos dias antes do primeiro turno das eleições.

A apreensão era de que o debate no plenário físico, com transmissão ao vivo e discussão entre os ministros, impedisse a tentativa de reduzir a tensão interna no tribunal.

O cancelamento de sessões plenárias foi uma estratégia adotada por Fachin durante algumas semanas para tentar conter a crise deflagrada no início de setembro no tribunal.

Outra ala do tribunal, no entanto, discordava dessa avaliação. Para esses ministros, o STF tem de realizar as sessões plenárias, embates fazem parte da Corte e o colegiado tem de dar uma palavra final sobre o assunto – que tem impacto eleitoral.

O STF completa nesta semana um mês de crises sucessivas e nada indica que a temperatura vá diminuir. Desde que André Mendonça tornou público um relatório que aponta suposta relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, o tribunal vive uma crise sem precedentes.

Nas últimas semanas, ministros cassaram decisões de colegas em diferentes processos, trocaram ofensas e acusações no plenário do STF, desautorizaram o presidente do tribunal e até bloquearam colegas no WhatsApp. A batalha interna envolve vazamento de informações e levantamento de sigilo de processos.

CNN Brasil

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