Registro divulgado por Lauro Jardim mostra ministro do STF e Viviane Barci desembarcando de aeronave, supostamente, ligada ao empresário Daniel Vorcaro
Da redação*
O caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou neste domingo (20) um novo e importante capítulo.
O jornalista e colunista Lauro Jardim, de O Globo, divulgou imagens que mostram Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025. Segundo as informações divulgadas, a aeronave estava vinculada à Prime Aviation, empresa associada a Vorcaro.
A divulgação das imagens chama atenção porque contrasta com uma manifestação anterior atribuída ao gabinete do ministro, segundo a qual Alexandre de Moraes “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. A existência do voo, portanto, passou a integrar o conjunto de informações que estão sendo analisadas no chamado caso Banco Master.
DOCUMENTOS DA PF AUMENTAM A REPERCUSSÃO
As imagens não surgem isoladamente.
Segundo informações divulgadas a partir de documentos e mensagens apreendidos pela Polícia Federal, havia registros de utilização de aeronaves relacionadas a empresas ligadas a Vorcaro por Viviane Barci. Em uma conversa de julho de 2025, Daniel Vorcaro perguntou a Marcos da Mata, ligado à empresa Prime You, se as aeronaves estavam sendo utilizadas pelo escritório.
A resposta indicava que os aviões e helicópteros já vinham sendo utilizados. Em outra troca de mensagens, uma funcionária da empresa informou a Vorcaro que uma aeronave estava reservada para “Barci”. O banqueiro respondeu: “Não deixa de atender Barci.”
Outro elemento relevante é que a Polícia Federal identificou documentos relacionados a um segundo contrato, estimado em R$ 50 milhões, entre uma empresa ligada a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci. Segundo a investigação, uma das propostas previa que parte desse valor pudesse ser quitada mediante transferência de cotas de aeronaves.
A VERSÃO DO ESCRITÓRIO
Diante da repercussão, o escritório Barci de Moraes afirmou que contratava serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e negou que houvesse vínculo pessoal com Daniel Vorcaro ou que ele estivesse presente nos voos.
A defesa também sustenta que a escolha das aeronaves era feita pela própria empresa contratada e afirma que Vorcaro não participou dos voos em que Alexandre de Moraes ou Viviane Barci estiveram presentes.
É justamente nesse ponto que está uma das questões centrais da controvérsia: uma coisa é utilizar um serviço de transporte aéreo de uma empresa; outra é a relação entre o usuário, os proprietários ou pessoas ligadas à aeronave e eventuais contratos existentes entre as partes. São questões distintas que precisam ser esclarecidas documentalmente.
MAIS UMA PERGUNTA PARA O STF
A divulgação das imagens não permite, por si só, concluir que houve qualquer irregularidade por parte do ministro ou de sua esposa. Mas o episódio coloca uma pergunta objetiva no centro do debate público:
Se o ministro afirmou que jamais havia viajado em avião de Daniel Vorcaro, como deve ser interpretada a imagem que agora mostra Alexandre de Moraes e sua esposa desembarcando de uma aeronave vinculada a uma empresa associada ao ex-banqueiro?
Essa é uma pergunta que não pode ser respondida com versões genéricas, notas protocolares ou ataques a jornalistas.
Precisa ser esclarecida com datas, registros de voo, propriedade das aeronaves, contratos, pagamentos e documentos oficiais.
O Supremo Tribunal Federal ocupa uma posição central na República. Por isso mesmo, seus integrantes estão sujeitos a um grau elevado de escrutínio público. Transparência não é privilégio da imprensa nem favor concedido à sociedade. É requisito indispensável para a preservação da confiança nas instituições.
O DEVER DE ESCLARECER
O episódio envolvendo Moraes, Viviane Barci e o universo empresarial de Daniel Vorcaro ainda está em apuração e possui diferentes versões apresentadas pelos envolvidos.
Mas uma coisa é inquestionável: as imagens existem, os registros estão sendo analisados e há documentos e mensagens apreendidos pela Polícia Federal que precisam ser devidamente esclarecidos.
Cabe às autoridades competentes investigar. Cabe aos envolvidos apresentar suas explicações. E cabe à imprensa informar.
No Estado Democrático de Direito, ninguém deve ser condenado por uma fotografia, uma mensagem ou uma reportagem. Mas também ninguém, por mais poderoso que seja, pode estar acima da necessidade de prestar esclarecimentos quando surgem fatos novos e documentados.
A sociedade brasileira merece respostas. E respostas convincentes não se constroem com versões: constroem-se com fatos, documentos e transparência.
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