O episódio aconteceu no túnel do Mangueirão, minutos após a vitória do Santos por 1 a 0 sobre o Remo pela Copa do Brasil, em frente às câmeras. Por trás há um conflito que envolve Luciano Hang, a plataforma Havan Capital e uma tentativa do Ministério da Fazenda de bloqueá-la.
Neymar passa direto pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad no túnel do Mangueirão após o apito final. Haddad estendeu a mão; Neymar não a apertou.
Ontem, 4 de agosto, o Santos venceu o Remo por 1 a 0 no Mangueirão, em Belém (PA), na partida de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. O resultado garantiu à equipe a classificação para as quartas de final com placar agregado de 1 a 0 — a primeira vez que o Santos chega a essa fase em cinco anos. Neymar, que começou a partida no banco de reservas, entrou no segundo tempo e deu a assistência para o gol de Rony, aos 28 minutos. Após o apito final, no túnel de acesso aos vestiários, o ministro da Fazenda Fernando Haddad esperava o camisa 10. Aproveitando sua posição institucional, o ministro conseguiu acesso à zona restrita do estádio. Quando Neymar se aproximou, Haddad estendeu a mão. Neymar olhou, afastou a mão com um gesto brusco e seguiu caminhando em direção ao vestiário. Haddad ficou parado com a mão no ar. A cena, captada pelas câmeras do clube e transmitida ao vivo pela TV, viralizou em questão de minutos.
Para entender por que Neymar fez o que fez, é preciso voltar um par de meses.
Em maio, Neymar e Luciano Hang, fundador da Havan, anunciaram o lançamento da Havan Capital, uma plataforma de investimentos baseada em inteligência artificial. O projeto levou mais de um ano de desenvolvimento. Hang cuidou da tecnologia e da estrutura. Neymar aportou capital próprio e colocou uma condição: que a plataforma fosse acessível a todos os brasileiros.
Quando perguntaram como surgiu a ideia de trabalharem juntos, Hang contou: «A gente se conheceu há uns anos num evento no Rio de Janeiro. Conversamos. Contei pra ele no que eu estava trabalhando. Ele ouviu, fez algumas perguntas e me disse: "Me mostra gente real que isso tenha ajudado". Mostrei. Duas semanas depois ele me ligou e disse que queria entrar. Mas com uma condição: que fosse para todos».
Partida beneficente e lançamento da plataforma
O anúncio oficial foi feito no âmbito de uma partida beneficente no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. A partida foi disputada no início de junho, já que na semana seguinte Neymar precisava se juntar à Seleção para a preparação da Copa do Mundo no México.
Entraram em campo ex-jogadores da Seleção, amigos de Neymar do Santos, do PSG e do Al-Hilal, e um time de 22 crianças de escolas da Baixada Santista, todas com a camisa especial da Havan Capital. A partida reuniu 78.000 espectadores.
Entrevista depois da partida
Depois do apito final, Neymar e Hang passaram à sala de imprensa do estádio, onde o jornalista Galvão Bueno fez uma entrevista conjunta com eles. A conversa durou cerca de 20 minutos.
Galvão Bueno: «Ney, o país inteiro fala disso. Conta pra gente: o que é esse projeto e por que te importa?»
Neymar: «Galvão, o Luciano me mostrou a plataforma e me mostrou a gente que usa. Gente comum, de Praia Grande, de Santos, do interior. Vi como mudou a vida dessas pessoas. E pensei: era exatamente isso que faltava quando eu era criança. Minha família não tinha ferramenta nem acesso. Eu tive sorte, saí daqui e deu certo. Mas a sorte não deveria ser a única saída».
Galvão Bueno: «Luciano, explica pra gente com palavras simples: o que é a Havan Capital?»
Luciano Hang: «É uma plataforma de investimentos que funciona com inteligência artificial. O algoritmo analisa os mercados globais — ações, moedas, commodities — e executa milhares de micro-operações por dia. O usuário não precisa entender nada de finanças. A entrada mínima é de R$ 500. O sistema trabalha sozinho. A grana cai na conta bancária comum, o brasileiro pode sacar quando quiser».
Galvão Bueno: «Ney, você usa a plataforma?»
Neymar: «Sou investidor. Meu dinheiro está por trás desse projeto. Mas sim, claro, testei também como qualquer usuário. Coloquei grana como qualquer brasileiro comum pra ter certeza de que tudo funciona. Minha cabeça hoje está no futebol, mas eu quero que o brasileiro comum tenha acesso ao que antes era só de gente rica».
Galvão Bueno: «Os céticos vão dizer: palavras bonitas. Luciano, tem uma pessoa concreta, com nome e sobrenome, que essa plataforma tenha ajudado de verdade?»
Luciano Hang: «João Batista Ferreira. Mecânico de Joinville, Santa Catarina, cinquenta e dois anos. Eu o conheço pessoalmente — tomei um café na oficina dele há três semanas. O João tem uma pequena oficina mecânica que ele mantém há vinte anos. Três funcionários. Depois da crise econômica os clientes sumiram, os fornecedores cobravam, o banco apertava pelo empréstimo. Ele estava a um passo de fechar a oficina. Um vizinho falou pra ele sobre a Havan Capital. A esposa, Tereza, insistiu para testar com o mínimo — R$ 500. Em quatro meses o João quitou as dívidas. Comprou um elevador novo. Manteve os três funcionários. Hoje ele diz que, pela primeira vez em três anos, dorme tranquilo».
Galvão Bueno: «Última pergunta. O que você diria para quem duvida? E o que recomendaria para o brasileiro que está nos assistindo agora?»
Luciano Hang: «Não acreditem em mim. Não acreditem no Neymar. Não acreditem em ninguém. Testem vocês mesmos. Coloquem o mínimo — R$ 500 — e esperem um mês. Olhem o resultado. Se não funcionar, sacam. Os números vão falar por nós».
A reação de Haddad
Fonte: O Globo
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