Aplicativo Web FarmaLibras desenvolvido pela Univasf e CFF ganha versão para celulares

 



O Aplicativo Web FarmaLibras, desenvolvido pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) em parceria com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), acaba de ganhar uma versão otimizada para dispositivos móveis.

A ferramenta reúne frases em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e em português utilizadas com frequência em atendimentos farmacêuticos e agora pode ser acessada de forma prática por celulares e computadores, sem necessidade de instalação. Gratuito, o aplicativo busca facilitar a comunicação entre farmacêuticos e pessoas surdas.

O aplicativo foi desenvolvido no âmbito do Programa FarmaLibras, coordenado pela professora Deuzilane Nunes, do Colegiado de Farmácia (CFarm) da Univasf, e pelo professor Tarcísio Palhano, assessor da Presidência do CFF. Segundo Deuzilane, a versão para dispositivos móveis foi criada para atender a uma demanda apresentada pelos próprios usuários. Inicialmente, a plataforma havia sido planejada para utilização em computadores, mas profissionais e pessoas surdas manifestaram interesse em utilizá-la também pelo celular durante os atendimentos.

Como o sistema reúne cerca de 600 vídeos em Libras, a equipe optou por desenvolver uma versão web responsiva, evitando o consumo excessivo de memória dos dispositivos. "Ela tem todas as funcionalidades de um aplicativo, mas permanece na web justamente porque a quantidade de vídeos tornaria inviável um aplicativo convencional para download", explica a coordenadora.

Além da nova versão do aplicativo, o Programa FarmaLibras avança em outra iniciativa voltada à promoção da acessibilidade. A equipe está desenvolvendo o segundo volume do Vocabulário Terminográfico Farmacêutico Bilíngue, que permite a consulta de termos farmacêuticos em português e a visualização do respectivo sinal em Libras, acompanhado de explicações sobre seu significado e contexto de uso.

A publicação, com lançamento previsto para novembro, acrescentará 86 verbetes distribuídos em categorias como vias de administração, formas farmacêuticas, embalagens e termos relacionados, ampliando o banco de dados já disponível para profissionais da saúde e pessoas surdas.

Como parte da produção desse novo volume, nove tradutores e intérpretes de Libras, representantes das cinco regiões do Brasil, se reuniram na última semana na Univasf, Campus Sede, em Petrolina (PE), para gravar os verbetes que integrarão a publicação. A equipe conta com profissionais de Tocantins, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco. "Esses tradutores participam do processo de gravação e validação dos sinais para garantir que as traduções sejam compreendidas nacionalmente, respeitando as variações regionais da Libras", afirma Deuzilane.

Os materiais produzidos pelo FarmaLibras são elaborados por profissionais da Farmácia e especialistas em tradução e linguística da Libras. Antes da definição de cada sinal, a equipe seleciona os termos técnicos, elabora e valida os verbetes em português com especialistas da área farmacêutica e realiza um levantamento nacional para verificar a existência de sinais correspondentes. Quando os sinais encontrados não representam adequadamente o conceito técnico, novos sinais são desenvolvidos em conjunto com a comunidade surda.

"O principal diferencial desse trabalho é unir o conhecimento técnico farmacêutico ao conhecimento técnico da tradução em Libras. Sem essas duas áreas trabalhando juntas, não é possível produzir uma tradução adequada", destaca a coordenadora.

Deuzilane ressalta ainda que a comunidade surda participa de todas as etapas do processo de tradução e validação dos materiais. "Os próprios surdos colaboram na construção dos conteúdos, garantindo que respeitem a cultura e a estrutura linguística da Libras. Nos próximos meses, também pretendemos realizar cursos reunindo farmacêuticos e pessoas surdas para estimular o uso das ferramentas e avaliar seu impacto na comunicação durante o atendimento farmacêutico", informa.

Criado na Univasf em 2017, o Programa FarmaLibras surgiu após a identificação de barreiras enfrentadas por pessoas surdas durante ações de educação em saúde. A equipe constatou que diversos termos técnicos da área farmacêutica não possuíam sinais correspondentes em Libras, dificultando a comunicação e o acesso à informação. "Percebemos que, na hora de explicar o uso correto dos medicamentos, muitos sinais simplesmente não existiam. Foi essa necessidade que nos levou a iniciar o desenvolvimento de um glossário especializado", relembra Deuzilane.

Em 2018, o projeto passou a contar com a parceria do Conselho Federal de Farmácia, o que possibilitou sua expansão para todo o país. Atualmente, o Programa FarmaLibras reúne uma equipe multidisciplinar formada por farmacêuticos, tradutores, intérpretes e especialistas em Libras de diferentes estados brasileiros, fortalecendo a produção de recursos de acessibilidade voltados à comunicação entre profissionais da Farmácia e pessoas surdas.

Portal Univasf

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