Por João Chaves*
Já se foi o tempo em que candidatos sem recursos não podiam nem sonhar com uma candidatura. O contexto foi evoluindo e se modificando, e os políticos profissionais foram encontrando várias maneiras de abocanhar dinheiro público para financiar suas campanhas eleitorais, cada vez mais caras e sofisticadas.
Primeiro, criaram o Fundo Partidário, recurso público destinado à sustentação da estrutura dos partidos, incluindo sede, manutenção e funcionários, muitas vezes com altos salários para aqueles que perderam mandatos, ex-secretários, ex-ministros, entre outros.
Quando foi proibido o financiamento de campanhas por parte do empresariado, entrou em cena a criatividade dos parasitas da nação. A pergunta era: o que fazer? Chegaram ao extremo da ousadia. Colocaram a criatividade em prática e, mais uma vez, a viúva — ou seja, a Nação — foi convocada e submetida a um novo esbulho: o famigerado Fundo Eleitoral, cada vez mais robusto e irrigado com dinheiro público.
Hoje, esse fundo gira em torno de R$ 5 bilhões. Vale ressaltar que sua existência conta com a aquiescência do centro, da esquerda e da direita. Afinal, quando o assunto é dinheiro público, muitos parecem seguir a lógica do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Nesse contexto, entra a rentabilidade do investimento: as chamadas candidaturas rentáveis. Dos bagrinhos aos tubarões, cotas raciais e de gênero, cada um desses subterfúgios tem uma função a cumprir. Muitas vezes, as cotas são preenchidas com candidaturas fantasmas, sem campanha efetiva. Tivemos recentemente, em nossa cidade, a suspensão de mandatos pelo uso indevido desses expedientes.
Existem também as chamadas candidaturas de “cabras eleitorais”, com dois objetivos principais: levar votos para as legendas e ajudar a eleger as cartas marcadas, ou testar o potencial eleitoral de determinados nomes para futuras negociações políticas.
Mas isso ainda é peixe pequeno quando comparado ao uso desse mecanismo por grandes lideranças, transformando candidaturas em um verdadeiro investimento altamente rentável.
Como funciona? Muito simples. Há um interesse mútuo entre o partido e o candidato. O Fundo Eleitoral é calculado de acordo com o tamanho da bancada federal. Mais votos para a legenda podem significar a renovação do mandato de uma liderança competitiva ou até mesmo a conquista de mais uma vaga na Câmara Federal.
Como não existe um controle efetivo e eficiente sobre todos esses gastos, surgem suspeitas e questionamentos sobre a destinação dos recursos. Há quem afirme que determinadas lideranças recebem vultosos valores do Fundo Eleitoral, utilizam apenas uma parte dos recursos na campanha e acabam obtendo vantagens políticas e financeiras indiretas. Exemplos e comentários sobre essa prática são frequentes no debate político, inclusive em nossa cidade, em eleições passadas. Basta puxar pela memória.
E então, não seria esse um grande investimento?
(*) Médico e cidadão brasileiro
Não
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