MESSIAS x LULA x STF – A insistência dos derrotados em relativizar a decisão do senado

Teimosia, arrogância ou afrontamento contra os senadores? que o senado repita o sonoro Não!

Imagem criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio do gerador de imagens com IA.

Por Taciano Medrado*

No xadrez da política brasileira, derrotas costumam ensinar lições. Mas, em Brasília, nem sempre perder significa recuar. Às vezes, significa dobrar a aposta. E é exatamente esse o cenário que parece se desenhar após a rejeição inédita do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo informações divulgadas nos bastidores do poder, o presidente Lula pretende insistir e reenviar ao Senado a indicação do atual advogado-geral da União. O movimento, porém, levanta uma questão inevitável: trata-se de convicção política, teimosia presidencial, arrogância institucional ou um gesto de enfrentamento direto ao Senado?

A Constituição concede ao presidente da República a prerrogativa de indicar ministros do STF. Isso é fato. Mas também estabelece, como contrapeso democrático, que cabe ao Senado analisar e aprovar ou rejeitar a escolha. É justamente nesse equilíbrio entre os Poderes que reside a essência republicana.

Quando uma indicação é rejeitada — ainda mais de forma inédita e politicamente ruidosa — o gesto do Senado deixa de ser apenas uma votação técnica. Passa a ser também um recado político. E ignorar recados políticos em Brasília costuma custar caro.

Nos bastidores do Planalto, a narrativa predominante é de que Lula não teria interpretado a derrota como um revés de Jorge Messias, mas como uma afronta ao próprio governo e ao poder presidencial. A avaliação é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria atuado silenciosamente para minar a indicação — algo que ele nega publicamente.

Mas a grande pergunta talvez seja outra: insistir no mesmo nome fortalece a autoridade presidencial ou amplia a crise institucional?

Há quem veja a possível recondução da indicação como um ato de firmeza, uma demonstração de que o presidente não aceita derrotas impostas por articulações políticas. Outros enxergam um risco evidente: transformar uma derrota pontual em um cabo de guerra entre Executivo e Legislativo.

E a história política ensina que guerras de ego raramente produzem vencedores. Produzem desgaste.

Nos corredores do poder, comenta-se que Lula chegou a considerar nomes alternativos, inclusive diante de pressões internas para indicar uma mulher ao STF. Mas abandonar Jorge Messias passou a ser interpretado por auxiliares como a consolidação de uma derrota política. E, em Brasília, derrotas públicas costumam deixar cicatrizes.

A insistência, contudo, pode abrir uma nova ferida: a percepção de que a decisão do Senado foi desconsiderada ou relativizada.

O Brasil já vive tempos suficientemente tensos entre Poderes. STF, Congresso e Executivo têm protagonizado sucessivos embates institucionais. Acrescentar mais combustível a essa fogueira talvez seja o último ingrediente que o país precise.

Porque no fim das contas, a questão não é apenas Jorge Messias.

A questão é saber até onde vai a autoridade presidencial e onde começa a necessidade do diálogo.

Porque insistência excessiva pode parecer convicção.

Mas também pode parecer teimosia.

Ou pior: afronta.

E em política, a diferença entre uma e outra costuma ser definida nas urnas,  ou nas votações do Senado.

Mas se pra Lula o primeiro recado do senado  não foi suficiente, quem sabe no segundo recado o cabeça dura, arrogante e prepotente Lula não se dá por vencido.

Que o senado repita o sonoro NÃO!!!

(*) Redator chefe do TMNews do Vale e analista político

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