Por João Chaves*
O que significa a RUJ – Residência dos Universitários de Juazeiro na vida de cada um dos que lá residiram durante o período em que frequentavam os vários cursos universitários da UFBA?
Vale salientar que o único curso universitário existente em nossa cidade, salvo engano, era o de Agronomia. Inclusive, essa realidade não se resumia apenas a Juazeiro, mas a praticamente todo o Estado da Bahia. Só a título de exemplificação, existiam apenas dois cursos de Medicina: o da UFBA e o da Escola Bahiana.
A RUJ era como uma extensão de nossas casas, um verdadeiro enclave de Juazeiro em Salvador, onde o ambiente retratava um pouco da realidade dos juazeirenses e seus diversos extratos sociais. O ponto alto era a forte solidariedade entre os moradores, com ajuda mútua em seus mais variados aspectos.
Desde a divisão do farto café da manhã de pão com ovo — pão esse comprado fiado na Padaria Favorita para pagar no fim do mês — até a partilha dos alimentos trazidos do RU (Restaurante Universitário), onde vários residentes faziam suas refeições e dividiam o almoço com aqueles que não tiveram a oportunidade de serem relacionados. Havia ainda as merendas e alimentos enviados pelas famílias de melhores condições financeiras.
E como funcionava esse enclave? A Prefeitura pagava o aluguel e as demais despesas. Água, energia elétrica e materiais de limpeza eram rateados entre os residentes.
Mas como administrar tudo isso? Era escolhido um administrador, responsável por arrecadar as mensalidades, cobrar junto à Prefeitura o pagamento do aluguel, efetuar pagamentos das despesas e cuidar de diversos outros afazeres. Eu mesmo fui um deles. Lembro também de Caça. Bons tempos, apesar das dificuldades.
E o que fazer com aqueles que não dispunham do valor da mensalidade na data do vencimento? Esse também era um desafio.
Vivemos essa rica experiência como jovens sonhadores, de poucos recursos, mas de grandes sonhos que, apesar de todas as intempéries, se tornaram realidade.
Tudo isso aconteceu na Rua Banco dos Ingleses, inicialmente no famoso Sobrado Verde — passei por lá dias desses e ele ainda existe. Depois, a residência mudou para um bangalô mais à frente, onde posteriormente foi construído um prédio, lembrando a saudosa música Saudosa Maloca.
Dali se tinha uma deslumbrante vista para a Ilha de Itaparica, onde os adeptos da "erva-doce" se deliciavam contemplando o não menos espetacular pôr do sol.
Posteriormente, a residência foi transferida para os bairros dos Barris e Pernambués. A partir daí, já não tenho informações tão precisas.
Para não fugir à regra da contagiante alegria irradiada pelo juazeirense, famosas eram as festas ali realizadas. Os convites eram disputados quase a tapas pelas outras residências. Era um acontecimento que fazia parte da rotina da Banco dos Ingleses.
Vale lembrar que existiam inúmeras residências semelhantes. A primeira foi a de Feira de Santana, fundada por José Pires Caldas. Posteriormente, foi criada a CIVUB – Confederação Interiorana dos Vestibulandos e Universitários da Bahia, que coordenava eventos entre as residências.
Entre eles, destacava-se o disputado campeonato de futebol de salão, onde craques como Luis Alberto, Ailton, Adailton Muniz, o fominha Kauba e Renatinho, entre outros, elevavam o nome do futebol juazeirense.
Não menos importante era o que acontecia nas férias. A residência ficava vazia, pois todos retornavam para Juazeiro a fim de aproveitar as férias junto aos familiares. Nosso lar então se transformava em um reduto de jovens universitárias, inclusive estrangeiras, que proporcionaram romances intensos.
Dentro desse contexto, existe um projeto para transformar em livro todas as histórias ali vividas: amores enferrujados, brigas e tudo o mais que aconteceu naquele ambiente tão especial.
Para relembrar tudo isso, neste domingo, 24 de maio, os ex-presidentes estarão se reunindo no M, para festejar, bebericar e jogar conversa fora.
Voltaremos ao assunto para falar desses ilustres residentes que muito contribuíram para a sociedade juazeirense.
Esperamos a presença de todos enquanto é tempo!
(*) Médico e ex-residente da RUJ
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