Por Taciano Medrado*
A toga, no imaginário coletivo, sempre simbolizou equilíbrio, sabedoria e imparcialidade. Ela representa a autoridade da lei e o compromisso com a justiça. Quem a veste assume, diante da sociedade, o papel de guardião das regras que garantem o funcionamento da democracia.
Mas, como toda instituição composta por seres humanos, o poder por trás da toga também pode esconder sombras.
A história mostra que, em diferentes momentos e lugares, magistrados deixaram de lado a serenidade que se espera da função para agir movidos por interesses políticos, vaidades pessoais ou disputas de poder. Quando isso acontece, a toga deixa de ser símbolo de justiça e passa a ser um manto de autoridade usado para legitimar decisões questionáveis.
O problema não está na instituição em si, mas na tentação que o poder absoluto pode exercer sobre quem o detém. Em sistemas onde as cortes superiores acumulam enorme influência sobre a vida política e social do país, o risco de excessos aumenta. Decisões que deveriam se limitar à interpretação da lei passam, muitas vezes, a interferir diretamente no jogo político.
É nesse ponto que surgem os chamados “segredos sombrios”: acordos de bastidores, disputas internas silenciosas, protagonismo midiático e decisões que parecem mais guiadas por conveniência do que por princípios jurídicos. Quando esses elementos aparecem, a confiança da sociedade começa a se desgastar.
A Justiça depende de algo que vai muito além da letra fria da lei: a credibilidade. Sem confiança pública, tribunais deixam de ser vistos como árbitros neutros e passam a ser percebidos como atores políticos.
E quando a sociedade começa a enxergar isso, surge uma pergunta incômoda: até que ponto a toga ainda protege a justiça, e até que ponto ela protege quem a veste?
A democracia exige instituições fortes, mas exige também transparência, limites e responsabilidade. Nenhuma autoridade deve estar acima do escrutínio público, nem mesmo aquelas envoltas na solenidade de uma toga.
Porque, no fim das contas, a justiça verdadeira não se sustenta apenas pela autoridade do cargo, mas pela integridade de quem o ocupa.
E quando as sombras começam a aparecer por trás da toga, é dever da sociedade acender a luz.
(*) Professor, redator chefe do TMNews do Vale e analista político
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