O ciúme é um algoz silencioso e destrutivo. Ele pode levar a ações desmedidas. Há séculos William Shakespeare escreveu sobre isso no drama Otelo, revelando como uma suspeita pode crescer até se transformar em ruína. Sob a ótica psicanalítica, o ciúme doentio não nasce do amor equilibrado, mas da insegurança profunda e do medo de perder. Quando alguém não suporta suas próprias fragilidades, projeta no outro aquilo que não consegue resolver dentro de si. A mente passa a construir narrativas imaginárias, e a emoção, sem controle, substitui a razão. Ter um diálogo bom, honesto e respeitoso é um bom caminho na busca de um equilíbrio conjugal.
A psicanálise ensina que conteúdos reprimidos não desaparecem; eles se manifestam de maneira distorcida. Traumas antigos, rejeições mal resolvidas e sentimento de inferioridade podem alimentar um comportamento obsessivo. O ciumento compulsivo tenta controlar horários, amizades, redes sociais e até pensamentos. A violência psicológica começa de forma silenciosa, com críticas constantes, acusações infundadas e manipulação emocional. Com o tempo, instala-se um ambiente de medo e opressão. Quando o outro deixa de ser reconhecido como sujeito livre e passa a ser tratado como propriedade, a relação já está profundamente adoecida.
A realidade contemporânea confirma o quanto esse problema é grave. Observa-se crescimento nos registros de violência doméstica, não apenas física, mas também moral, verbal e emocional. O feminicídio representa o estágio extremo de um ciclo que geralmente começou com controle e desrespeito. Muitos ainda confundem ciúme excessivo com demonstração de amor, mas essa distorção cultural precisa ser enfrentada. Amor saudável não aprisiona, não ameaça, não humilha. Onde há medo constante, não há cuidado verdadeiro, há dominação.
A Bíblia também aborda essa questão com clareza. Em Provérbios 14 está escrito que a inveja corrói como podridão nos ossos, revelando o caráter destrutivo desse sentimento quando não tratado. Em 1 Coríntios 13 aprendemos que o amor não arde em ciúmes e não busca seus próprios interesses. As Escrituras apontam para o domínio próprio como virtude essencial e para o respeito mútuo como fundamento do casamento. O ensinamento bíblico não legitima a possessividade; ao contrário, chama à responsabilidade emocional e ao autocontrole nos relacionamentos.
Este é um chamado firme à reflexão e à tomada de posição contra toda forma de violência. Não podemos normalizar comportamentos abusivos nem justificar agressões com argumentos emocionais. Homens precisam reconhecer suas fragilidades e buscar ajuda quando percebem impulsos destrutivos. Mulheres precisam ser encorajadas a identificar sinais de abuso e a romper o silêncio. A sociedade deve rejeitar qualquer forma de opressão, física ou psicológica. O silêncio sustenta o agressor; a consciência e a ação preservam vidas. Combater o ciúme doentio é uma forma de defender a dignidade humana e proteger o valor sagrado da vida.
Teobaldo Pedro
Juazeiro-BA
AVISO:
Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião
do TMNews do Vale (Blog do professor TM) Qualquer reclamação ou reparação é de
inteira responsabilidade do comentador. É vetada a postagem de conteúdos que
violem a lei e/ ou direitos de terceiros. Comentários postados que não
respeitem os critérios serão excluídos sem prévio aviso.
Não
deixe de curtir nossa página www.profesortacianomedrado.com e no Facebook e também Instagram para
acompanhar mais notícias do TMNews do Vale (Blog do professor TM)
Envie
informações e sugestões para o TMNews do Vale
pelo e-mail: tmnewsdovale@gmail.com



Postar um comentário