O "engessado" Ministro Haddad deixa o governo para atender a uma exigência do seu chefe Lula na eleições de 2026


Por Taciano Medrado*

A saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, após três anos e dois meses à frente da equipe econômica, não surpreende, apenas confirma aquilo que já se desenhava nos bastidores de Brasília: no governo Lula, decisões estratégicas raramente são técnicas; são, antes de tudo, políticas e eleitorais.

Haddad deixa o cargo não exatamente por vontade própria ou por missão cumprida, mas para atender a um projeto maior do Partido dos Trabalhadores: a disputa pelo governo de São Paulo nas eleições de 2026. Trata-se de mais um movimento calculado do presidente Lula, que reorganiza seu tabuleiro político visando ampliar seu poder regional e consolidar palanques fortes.

Durante sua gestão, Haddad teve como principais bandeiras a reforma tributária sobre o consumo, tema que se arrastava há décadas no Congresso, e a implementação do chamado arcabouço fiscal. No papel, medidas importantes. Na prática, limitadas por um governo que nunca demonstrou real disposição para conter gastos.

E é justamente aí que reside o principal problema: Haddad foi, ao longo de sua gestão, um ministro “engessado”. Sem autonomia plena, viu suas tentativas de ajuste fiscal esbarrarem nas prioridades ideológicas e populistas do próprio presidente. Medidas de contenção de despesas foram frequentemente neutralizadas por políticas de expansão de gastos, como o reajuste real do salário mínimo e outras iniciativas de forte apelo político.

Diante desse cenário, restou ao ministro apostar no caminho mais fácil, e mais oneroso para o contribuinte: o aumento da arrecadação, via elevação de impostos. Uma estratégia que, além de penalizar o setor produtivo e a população, não foi suficiente para cumprir a promessa de zerar o déficit público.

O resultado é um país que continua gastando mais do que arrecada, com uma dívida crescente e sem perspectiva clara de ajuste no curto prazo. No mercado, a percepção foi inevitável: Haddad, em muitos momentos, parecia uma voz isolada dentro do próprio governo, incapaz de impor uma agenda econômica consistente.

Sua saída, portanto, não representa apenas uma mudança de nomes, mas simboliza o fracasso de uma tentativa de equilíbrio fiscal em um governo que nunca priorizou, de fato, a responsabilidade com as contas públicas.

Agora, Haddad retorna ao cenário eleitoral carregando no currículo uma gestão marcada por limitações, concessões e resultados aquém do prometido. Resta saber se o eleitor paulista enxergará nele um gestor capaz, ou apenas mais um peça de um projeto político maior, comandado diretamente do Palácio do Planalto.

No fim das contas, fica a pergunta: Haddad foi um ministro incapaz ou apenas mais um refém de um governo onde quem dá as cartas é, e sempre será, Lula?

(*) Professor e editor chefe do TMNews do Vale 

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