Se não há amor por um animal indefeso, o que esperar do amor ao próximo?



Por: Taciano Medrado*

Se um ser humano, independente da idade, não consegue amar, ou ao menos respeitar, um animal indefeso, é inevitável a pergunta que ecoa como alerta moral: como esse mesmo indivíduo será capaz de amar outro ser humano? A brutal e covarde morte de um animal, praticada por adolescentes em uma praia de Santa Catarina, não é apenas um episódio isolado de crueldade. É um sintoma grave de algo muito mais profundo e perigoso que precisa ser encarado sem relativizações.

A violência contra animais revela falhas severas na formação emocional, ética e social. Quando a crueldade surge tão cedo, ela aponta para distorções psíquicas que não podem ser ignoradas nem tratadas como “brincadeira”, “imaturidade” ou “falta de orientação momentânea”. Há ali um terreno fértil para o desenvolvimento de comportamentos antissociais, insensibilidade à dor alheia e ausência de empatia, elementos historicamente associados a trajetórias de violência contra pessoas.

É nesse ponto que o alerta se amplia para a dimensão psicossomática. Vivemos em uma sociedade adoecida emocionalmente. Estresse crônico, ansiedade, traumas não elaborados, ambientes familiares desestruturados e a banalização da violência produzem efeitos reais no corpo e na mente. A psique (psico) influencia o corpo (soma), gerando dores, distúrbios comportamentais e sintomas orgânicos que, muitas vezes, não encontram causa física aparente. Quando não tratados, esses conflitos internos se transformam em atos externos, e, em casos extremos, em violência.

Monitorar a saúde mental de crianças e adolescentes não é luxo, nem pauta ideológica: é necessidade social. Ignorar sinais de crueldade, agressividade e prazer no sofrimento do outro é colocar em risco toda a coletividade. A proteção dos animais, nesse contexto, não é apenas uma causa ética, mas também um instrumento de diagnóstico social. Onde há violência contra o indefeso, há um alarme ligado para algo muito maior.

Uma sociedade que tolera a barbárie contra animais normaliza o desvio moral e adia o enfrentamento de seus próprios adoecimentos. 

Educar para a empatia, tratar feridas emocionais e agir com firmeza diante da crueldade não é vingança, é prevenção. Porque quem aprende a respeitar a vida em sua forma mais frágil, aprende, antes de tudo, a respeitar a humanidade.

(*) Professor e Psicopedagogo

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