Respeito e consideração são vias de mão dupla

Por: Taciano Medrado*

Vivemos em um tempo em que todos querem ser ouvidos, compreendidos e valorizados. Queremos respeito às nossas opiniões, consideração pelos nossos sentimentos e reconhecimento pelas nossas lutas. No entanto, muitas vezes esquecemos de um princípio simples, mas fundamental: respeito e consideração não são privilégios que exigimos apenas para nós, são caminhos que precisam ser percorridos nos dois sentidos.

Respeitar alguém não significa concordar com tudo o que ela diz ou faz. Significa reconhecer que o outro é um ser humano, com história, dores, sonhos e limites. Da mesma forma, consideração é mais do que um gesto educado; é a capacidade de enxergar o outro para além das nossas próprias necessidades e vontades. Quando exigimos respeito sem oferecer o mesmo, criamos um desequilíbrio que inevitavelmente gera conflitos, mágoas e afastamentos.

Em relações pessoais, profissionais ou sociais, é comum vermos pessoas reclamando da falta de empatia do mundo, enquanto praticam julgamentos rápidos, palavras duras e atitudes impensadas. 

Queremos compreensão, mas não temos paciência. 

Queremos diálogo, mas não sabemos ouvir. 

Queremos consideração, mas ignoramos o impacto das nossas ações sobre os outros. 

Esse comportamento transforma o convívio em um campo de disputas, onde cada um tenta impor sua verdade, em vez de construir pontes.

O respeito começa no tom de voz, na forma como discordamos, na maneira como reagimos quando somos contrariados. É fácil ser respeitoso quando tudo está a nosso favor; o verdadeiro teste acontece quando somos desafiados, frustrados ou feridos. Nesses momentos, temos duas escolhas: responder com agressividade e orgulho, ou agir com maturidade e equilíbrio. A segunda opção exige esforço, mas é a única capaz de gerar relações saudáveis e duradouras.

Consideração também se manifesta em pequenas atitudes: ouvir sem interromper, cumprir a palavra dada, reconhecer erros, pedir desculpas quando necessário. São gestos simples, mas cada vez mais raros. Em um mundo acelerado e individualista, pensar no outro parece, para muitos, perda de tempo. No entanto, é justamente essa atenção ao próximo que humaniza nossas relações e fortalece a convivência.

Quando entendemos que respeito e consideração são vias de mão dupla, passamos a assumir nossa parte na construção de ambientes mais justos e harmoniosos. Em vez de perguntar apenas “por que não me respeitam?”, começamos a refletir: “como eu tenho tratado as pessoas ao meu redor?”. Essa mudança de perspectiva é poderosa, porque desloca o foco da cobrança para a responsabilidade pessoal.

Isso não significa aceitar abusos, humilhações ou injustiças. Respeitar a si mesmo também é parte desse processo. Vias de mão dupla funcionam quando há limites claros e reciprocidade. Se alguém insiste em desrespeitar, é legítimo se afastar ou se posicionar com firmeza. Respeito não é submissão; é equilíbrio.

No fim das contas, o mundo que desejamos começa na postura que adotamos diariamente. Cada palavra, cada atitude, cada escolha contribui para tornar o convívio mais leve ou mais pesado. Quando oferecemos respeito e consideração, aumentamos as chances de recebê-los de volta. E mesmo quando isso não acontece, preservamos algo essencial: nossa integridade e nossos valores.

Que possamos refletir sobre isso e lembrar, todos os dias, que respeito e consideração não são estradas de sentido único. São caminhos compartilhados, onde o ir e o vir dependem da forma como escolhemos caminhar.

(*) Professor e psicopedagogo institucional 

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