Olá caríssimos,
Alguém me perguntou: Professor o que será do PT quando Lula morrer? essa pergunta ficou martelando na minha cabeça e decidi responder na forma de um editorial.
Falar sobre o futuro do Partido dos Trabalhadores sem Lula é tocar num tabu que o próprio PT evita encarar com honestidade. Mas a política não respeita mitos eternos, nem lideranças imortais. Convenhamos, Lula é humano, finito, já tem 80 anos de idade e o partido que ele moldou à sua imagem parece não ter plano consistente para o dia seguinte à sua ausência, conforme a lei natural da vida.
Desde sua fundação, o PT construiu uma identidade coletiva forte, ancorada em sindicatos, movimentos sociais e intelectuais. No entanto, com o passar dos anos, essa identidade foi sendo substituída por algo mais personalista. O “projeto do PT” tornou-se, na prática, o “projeto de Lula”. Ele virou o centro gravitacional do partido, o único capaz de unir correntes internas em permanente conflito, o único com votos suficientes para vencer eleições nacionais.
O problema é que esse hiperpersonalismo cobrou seu preço. O PT não formou sucessores à altura. Não renovou lideranças com apelo popular nacional. Não construiu um discurso que sobrevivesse sem a figura carismática do seu líder maior. Quando tentou, falhou. Haddad, Dilma, Gleisi e outros nomes nunca conseguiram se descolar da sombra de Lula, nem eleitoralmente, nem simbolicamente.
Sem Lula, o PT corre o risco de se fragmentar ainda mais. As disputas internas, hoje contidas pela autoridade quase mítica do ex-metalúrgico, tendem a explodir. As correntes ideológicas, os interesses regionais e os projetos pessoais ganharão protagonismo, tornando o partido menos coeso e mais vulnerável.
Há também o fator eleitoral. Uma parcela significativa do eleitorado petista não é fiel ao partido, mas a Lula. É o chamado “Lulopetismo”, que não necessariamente se transfere automaticamente para outro nome ou legenda. Com a ausência de Lula, esse eleitor pode migrar, se abster ou simplesmente abandonar o PT, abrindo espaço para novas forças à esquerda, ou até para o avanço definitivo do centro e da direita.
O PT, sem Lula, terá de escolher entre duas saídas difíceis: ou se reinventa, abandonando o culto à personalidade e aceitando um processo real de renovação política e ideológica; ou definha lentamente, vivendo de um passado glorioso, preso à nostalgia de um líder que foi maior do que o próprio partido.
A pergunta, portanto, não é apenas “o que será do PT quando Lula morrer?”, mas se o PT quer, de fato, sobreviver a Lula, ou se prefere morrer politicamente com ele, como um partido que confundiu sua história com a biografia de um único homem.
(*) Professor e analista político
Não
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