O Jogo de Xadrez de Trump? Destitui o ditador, mas mantém no poder os tentáculos do chavismo


Nicolás Maduro caiu. Mas o chavismo… não.
Por: Taciano Medrado*

A queda de Nicolás Maduro, por enquanto não significou, automaticamente, a vitória da oposição democrática venezuelana. Pelo contrário. A movimentação dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, revelou uma estratégia fria, calculada e, para muitos, profundamente contraditória: ignorar a oposição e o nome de Maria Corina Machado, principal líder da oposição e recentemente agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, para negociar a transição com setores do próprio chavismo mantendo no poder os tentáculos do ditador deposto representante do regime que destruiu a Venezuela.

A pergunta que ecoa é inevitável: por quê?

Maria Corina Machado simboliza tudo o que o chavismo tentou destruir ao longo de décadas: oposição firme, discurso sem concessões e enfrentamento direto ao autoritarismo. Seu reconhecimento internacional, coroado pelo Nobel da Paz, consolidou sua imagem como referência moral da resistência venezuelana.

Mesmo assim, Trump optou por afastá-la do centro das negociações. Em declarações públicas, chegou a minimizar sua capacidade de governar, alegando falta de apoio interno suficiente. O discurso soa estranho vindo de um país que, por anos, apontou Machado como símbolo da luta democrática na Venezuela.

Sim, com o chavismo. O Nobel não vale nada quando atrapalha o poder

Durante anos, os Estados Unidos apontaram Maria Corina como exemplo de coragem democrática. Enquanto o regime prendia, censurava e matava, ela resistia. Sem armas. Sem concessões. Sem acordos sujos.

Mas, no momento decisivo, Washington fez o que grandes potências sempre fazem: descartou a líder legítima porque ela não controla tanques, quartéis nem a máquina estatal corrompida.

A aposta de Trump foi no chamado “chavismo sem Maduro”,  figuras e estruturas remanescentes do regime capazes de garantir uma transição controlada, sem ruptura institucional brusca. A lógica é simples e brutal.

A oposição tem legitimidade moral, mas o  chavismo ainda detém o controle do Estado, das armas e da burocracia. Trump escolheu o caminho mais previsível para quem governa com a lógica do mercado e da estabilidade: negociar com quem ainda manda, não com quem apenas simboliza esperança.

Esse realismo político, porém, cobra um preço alto. Ao privilegiar acordos com herdeiros do regime que destruiu a Venezuela, os EUA passam a mensagem de que a democracia é secundária quando entra em choque com interesses estratégicos.

Não vamos ser hipócritas. Trump sempre deixou claro que pra ele o que importa são os interesses do povo americano  e está pouco se lixando para a o restabelecimento da democracia na Venezuela. 

Não há ingenuidade na política internacional. A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do planeta, além de posição estratégica na América Latina. 

Afinal de contas uma transição instável, liderada por uma oposição sem controle institucional imediato, poderia gerar caos, afetar mercados e abrir espaço para influências rivais, como Rússia e China.

Por fim, Trump esta entre a Cruz e a espada. Por outro lado manter no poder os "cães adestrados" de Maduro e do chavismo, sedentos de vingança, será uma estratégia inteligente? Que o futuro responda!

(*) Professor e analista político  e redator chefe do TMNews do Vale 

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