Por; Taciano Medrado*
Olá caríssimos(*)
Na política, traição raramente vem com aviso prévio, ela chega disfarçada de “articulação”. É exatamente isso que se desenha no tabuleiro da política baiana.
O presidente Lula parece ter decidido puxar o tapete do próprio afilhado político, Jerônimo Rodrigues, ao reacender, nos bastidores, a candidatura de Rui Costa ao governo do estado. O gesto não é apenas estratégico: é um atestado de falência política do atual governador.
Lula iniciou uma articulação fria e calculada para o cenário eleitoral de 2026 ao chamar Rui Costa, hoje ministro-chefe da Casa Civil, para uma conversa reservada sobre o futuro da Bahia. O recado foi entendido com clareza em Brasília: o Planalto já não confia em Jerônimo. Quando um presidente começa a discutir sucessão estadual dois anos antes da eleição, não se trata de planejamento, trata-se de substituição.
Segundo o site Informe Baiano, Lula chegou a sinalizar a possibilidade concreta de Rui Costa voltar à disputa pelo Palácio de Ondina. Traduzindo do “politês” para o português claro: Jerônimo pode ser descartado como cabeça de chapa. O movimento se sustenta em levantamentos internos que mostram o óbvio: o governador não decola, não empolga e não convence o eleitor baiano, sobretudo no interior, onde a violência cresce, os serviços públicos falham e o discurso oficial já não engana ninguém.
Jerônimo governa como quem ocupa uma cadeira emprestada. Nunca foi dono do próprio mandato. Sempre foi visto como um gerente temporário de um projeto alheio. Sua administração é marcada pela ausência de liderança, pela dependência política e por uma incapacidade crônica de imprimir identidade própria. O resultado é um governo fraco, reativo e cada vez mais isolado.
Ao ressuscitar Rui Costa, Lula joga gasolina em um partido já rachado. O PT da Bahia passa a viver uma guerra interna silenciosa, onde aliados fingem lealdade enquanto fazem contas eleitorais. Prefeitos travam investimentos, deputados adotam discurso ambíguo e secretários passam a prestar contas mais a Brasília do que ao governador. É o colapso da autoridade política.
Rui Costa, por sua vez, reaparece como o “salvador da pátria”, aquele que o próprio PT nunca conseguiu superar. Dois mandatos depois, o partido prova que não formou sucessores, apenas administradores obedientes. A volta de Rui não é sinal de força, mas de falência de renovação. Um partido que precisa recorrer ao passado para sobreviver no futuro está confessando sua fragilidade.
No fim, Lula faz o que sempre fez: preserva o projeto nacional, mesmo que isso signifique sacrificar aliados locais. Jerônimo que se vire. Na lógica do poder, não há gratidão, há utilidade. E, ao que tudo indica, o governador da Bahia começa a ser visto como um peso morto.
A arapuca está armada. Resta saber se Jerônimo terá coragem de enfrentá-la ou se aceitará, calado, o papel que lhe reservaram: o militante Lulopetista descartável e um governador que nunca foi candidato de verdade.
(*) Professor e analista político
Não
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