Lula 3 – Um governo onde o samba vem em primeiro lugar e a saúde depois



Por: Taciano Medrado*

O governo Lula 3 parece cada vez mais confortável em definir prioridades que, para grande parte da população brasileira, soam no mínimo desconectadas da dura realidade cotidiana. 

Enquanto hospitais públicos enfrentam superlotação, falta de médicos, filas intermináveis para exames e cirurgias, o Palácio do Planalto confirma, sem constrangimento, a destinação de milhões de reais para o espetáculo do Carnaval.

O governo federal confirmou o repasse de R$ 12 milhões para as escolas de samba do Rio de Janeiro, beneficiando diretamente as 12 agremiações que compõem o Grupo Especial da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). 

A ação, que prevê R$ 1 milhão para cada escola, foi oficializada por meio de termos de cooperação assinados por representantes da Embratur, do Ministério da Cultura e da própria Liesa.

Segundo autoridades governamentais, a iniciativa busca fortalecer a cultura popular e o turismo durante o Carnaval, considerado um dos maiores eventos do planeta em termos de visibilidade internacional e impacto econômico. A defesa do investimento tem sido feita pelo presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e por integrantes do Ministério da Cultura, que argumentam que a medida valoriza a cultura nacional e gera trabalho e renda para milhares de profissionais envolvidos na preparação da festa. Para o governo, trata-se de um investimento “estratégico”, capaz de reforçar a imagem do Brasil no exterior e movimentar setores como turismo e economia criativa.

Ao mesmo tempo, segundo informações da Agência Brasil, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra o herpes-zóster, imunizante utilizado para prevenir reativações dolorosas do vírus varicela-zóster em idosos e imunocomprometidos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e baseada em parecer da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A entidade avaliou que o custo de implementação da vacina no SUS seria insustentável diante do impacto orçamentário projetado.

Especialistas ressaltam que o herpes-zóster pode causar complicações graves e prolongadas, especialmente em populações mais vulneráveis, como pessoas com mais de 80 anos e pacientes com baixa imunidade, que enfrentam maior risco de hospitalização e dor crônica. A vacina disponível no Brasil, Shingrix, demonstrou eficácia superior a 90% em prevenção, conforme dados de fabricantes e estudos clínicos, porém seu preço e os custos estimados pelo SUS elevaram o debate sobre custo-efetividade.

O problema não está em reconhecer a importância cultural do Carnaval, mas sim na escolha das prioridades. Em um país onde pacientes morrem à espera de atendimento, onde faltam leitos, medicamentos básicos e infraestrutura hospitalar, a mensagem transmitida é clara: há dinheiro para o samba, mas não para a saúde com a mesma urgência.

A população que depende do SUS dificilmente enxerga esse repasse como “estratégico”. Para quem aguarda meses por uma consulta ou anos por uma cirurgia, soa como descaso. O discurso de valorização cultural não apaga a sensação de que o governo prefere investir na festa, na imagem e no aplauso internacional, enquanto brasileiros comuns enfrentam um sistema de saúde fragilizado.

No fim das contas, o Lula 3 reforça uma percepção incômoda: no Brasil do governo atual, o samba desfila na avenida com recursos garantidos, enquanto a saúde pública continua esperando na fila, sem bateria, sem fantasia e, muitas vezes, sem esperança.

(*) Professor e analista político

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