Foto crédito Cassiano Medrado
Boa notícia para os "pais de pet" que tratam seus bichinhos como crianças: cachorros e bebês apresentam uma forma semelhante de aprender a linguagem.
Em sua maioria, os cães conseguem compreender algumas palavras estratégicas, ligadas a estímulos recorrentes. Por exemplo, falar "comida" ou "passear" tende a ser entendido, já que é repetido rotineiro.
Alguns cachorros, porém, têm um "vocabulário incomum", termo técnico usado por especialistas. Os bichinhos com essa habilidade sabem os nomes de objetos e têm um nível de abstração que permite a eles conectar a palavra abstrata e o referencial concreto.
Um exemplo desse comportamento são cães que, ao ouvir "cerveja", vão até a geladeira e buscam uma latinha para seu dono.
Os animais com essa capacidade conseguem aprender novas palavras apenas ao “ouvir de tabela” conversas humanas, de forma semelhante a bebês de cerca de 1 ano e meio.
A conclusão é de um estudo húngaro publicado na revista Science, que analisou um grupo específico de animais conhecidos como Gifted Word Learner dogs — cães capazes de compreender espontaneamente dezenas de rótulos verbais sem treinamento formal, durante interações naturais com seus tutores, segundo a publicação.
Como os cachorros aprendem a linguagem?
De acordo com os pesquisadores, esses cães foram capazes de associar novos nomes a objetos mesmo quando não eram diretamente instruídos, apenas observando interações entre humanos.
O desempenho foi comparável e, em alguns casos, superior ao de crianças de 18 meses, faixa etária em que estudos do desenvolvimento infantil já demonstraram a capacidade de aprender palavras por meio
“Os resultados sugerem que esses cães possuem habilidades sociocognitivas funcionalmente paralelas às de crianças de 18 meses”, afirma o artigo.
O trabalho mostrou ainda que os cães dotados desse talento conseguem formar associações entre palavras e objetos, mesmo quando o nome não é apresentado simultaneamente ao item — um processo chamado de descontinuidade temporal.
Em testes posteriores, os animais mantiveram a memória dessas associações por ao menos duas semanas.
Já cães considerados “típicos”, sem histórico de vocabulário amplo, não demonstraram aprendizado consistente, indicando que a habilidade é rara e não representa a população canina em geral, segundo os autores.
A linguagem é exclusividade humana?
Para os pesquisadores, os achados reforçam a ideia de que alguns mecanismos cognitivos ligados à linguagem não são exclusivamente humanos.
Embora a linguagem em si seja uma característica da espécie humana, processos como atenção compartilhada, leitura de intenções e acompanhamento de interações sociais podem ter bases mais antigas na evolução.
“Esses resultados sugerem que os processos sociocognitivos que permitem aprender palavras a partir de conversas ouvidas não são exclusivamente humanos”, afirma o estudo ao apontar novas pistas sobre a
Fonte: Esse artigo foi publicado originalmente em Exame.com
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