ELEIÇÕES 2026: Isaac Carvalho - inimigo de meu inimigo é meu amigo


Fênix? Da militância Lulopetista ao abraço em ACM Neto: reinvenção política ou puro oportunismo eleitoral?

Por Taciano Medrado*

Isaac Carvalho tenta, mais uma vez, ressurgir das cinzas. Mas a pergunta que ecoa nos bastidores da política baiana é inevitável: trata-se de uma verdadeira conversão política ou apenas de mais um movimento calculado de sobrevivência?

Impedido de disputar as eleições municipais de 2024 por conta de sua inelegibilidade, o ex-prefeito de Juazeiro apostou numa estratégia familiar: indicou o próprio sobrinho, Celso Carvalho (PSD), como candidato a prefeito. O resultado foi um vexame eleitoral difícil de contornar. Com apenas 6.750 votos, míseros 5,39% dos votos válidos, a candidatura foi fragorosamente rejeitada pelas urnas, evidenciando o esgotamento do capital político de Isaac no município que governou por anos.

Historicamente, Isaac Carvalho sempre ostentou com orgulho sua condição de lulopetista de carteirinha. Fez o “L”, militou por décadas na esquerda ideológica e reacionária, presidiu o PCdoB e, quando percebeu a mudança dos ventos, abandonou a sigla para se render de corpo e alma ao lulopetismo dominante na Bahia. Foi beneficiário direto desse alinhamento e jamais economizou críticas aos adversários do PT.

Agora, num movimento que beira o surreal político, Isaac reaparece anunciando apoio a ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo do Estado. O mesmo ACM Neto que, até ontem, representava tudo aquilo que Isaac dizia combater. E de bônus posa ao lado do deputado Jordávio, filho da ex-prefeita Suzana Ramos, ex-desafeta e alvo de ataques de Isaac Carvalho durante as campanhas eleitorais para prefeito de Juazeiro.

A justificativa? Segundo ele, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) estaria frustrando as expectativas dos baianos com uma gestão centralizadora, avessa ao diálogo com lideranças regionais e incapaz de manter coesa a própria base aliada.

Isaac também aponta, corretamente, diga-se, os indicadores alarmantes da Bahia: violência fora de controle, baixo desempenho na geração de empregos e uma educação que segue patinando. O problema não está no diagnóstico, mas na credibilidade de quem agora se apresenta como crítico do sistema que ajudou a sustentar, defender e fortalecer por décadas.

A guinada de Isaac Carvalho não soa como fênix renascida, mas como camaleão político em busca de abrigo. Depois da derrota humilhante nas urnas e do evidente enfraquecimento de sua influência, o ex-prefeito parece tentar se reposicionar no tabuleiro estadual, apostando que a memória do eleitor é curta, ou conveniente.

Resta saber se a Bahia, e especialmente Juazeiro, ainda estão dispostas a acreditar nesse renascimento tardio. Porque, na política, nem toda ave que surge das cinzas é fênix. Algumas apenas tentam escapar do próprio ostracismo.

(*) Professor e analista político

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