Por: Taciano Medrado*
Estamos em mais um ano eleitoral, e a cada novo ciclo a Bahia volta ao centro do debate político nacional como um dos maiores e mais fiéis redutos do Partido dos Trabalhadores(PT).
A pergunta que se impõe, nesse ano de 2026, é direta e incômoda: continuará a Bahia a ser tratada, e a se comportar, como um verdadeiro “curral eleitoral” do PT?
Um dos maiores colegiados eleitorais do país, a Bahia é governada por mandatários do PT de forma ininterrupta há quase duas décadas. O “reinado” petista teve início com o atual senador Jaques Wagner (2007–2014), seguido pelo atual ministro da Casa Civil do governo Lula, Rui Costa (2015–2022), que por sua vez foi sucedido por Jerônimo Rodrigues (2023–). Trata-se de uma hegemonia rara na política brasileira contemporânea e que, por si só, já mereceria um escrutínio mais rigoroso da sociedade.
Ao longo desses anos, o PT construiu uma máquina política sólida, apoiada em fortes alianças locais, controle de narrativas institucionais e uma dependência histórica de programas sociais que, embora relevantes, também acabam sendo instrumentalizados eleitoralmente. O discurso da “continuidade” e da “proteção aos mais pobres” tornou-se um mantra repetido eleição após eleição, enquanto problemas estruturais persistem: insegurança crescente, indicadores educacionais preocupantes, estagnação econômica em várias regiões do estado e um interior ainda marcado pela falta de oportunidades reais.
O que chama atenção é a dificuldade da oposição em romper esse ciclo. Falta projeto, falta enraizamento popular e, sobretudo, coragem para confrontar um sistema político que se retroalimenta. Em muitos municípios, o eleitor sequer tem acesso a um debate plural, sendo condicionado por lideranças locais que operam como verdadeiros cabos eleitorais permanentes do partido no poder.
A eleição de 2026, portanto, não será apenas mais uma disputa de nomes, mas um teste de maturidade democrática para o eleitor baiano. A Bahia continuará refém de uma hegemonia que já dura quase vinte anos ou ousará experimentar a alternância de poder, princípio básico de qualquer democracia saudável?
Romper a lógica do “curral eleitoral” não significa negar políticas sociais ou apagar conquistas pontuais, mas exigir resultados concretos, transparência, eficiência e, acima de tudo, pluralidade política. A permanência indefinida de um grupo no poder não é sinônimo de estabilidade; muitas vezes, é apenas o retrato de uma sociedade acostumada a escolher entre o mesmo e o mesmo.
Em 2026, a decisão estará novamente nas mãos do eleitor. Resta saber se a Bahia seguirá olhando para trás, presa a um passado político confortável para poucos, ou se terá coragem de encarar novos caminhos e redefinir seu futuro.
(*) Redator - chefe do TMNews do Vale e analista político
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