Por: Taciano Medrado*
Olá caríssimos,
Na política, o improvável não é exceção, é regra. O que hoje parece inconcebível, amanhã pode surgir como fato consumado, legitimado por discursos cuidadosamente moldados, alianças circunstanciais e uma memória coletiva seletiva. A política é um território onde convicções rígidas costumam derreter ao calor da conveniência.
O “nunca” na política quase sempre é uma promessa frágil. Líderes que juraram oposição eterna reaparecem lado a lado em palanques; adversários históricos se transformam em aliados estratégicos; discursos inflamados cedem espaço a acordos silenciosos. Não por amadurecimento ideológico, mas por cálculo. O poder, quando se aproxima, relativiza princípios.
O eleitor atento já aprendeu, ou deveria aprender, que a coerência é frequentemente sacrificada em nome da sobrevivência política. O pragmatismo, vendido como virtude, muitas vezes esconde oportunismo. E o improvável passa a ser normalizado como “necessário”, “estratégico” ou “inevitável”.
Depois que, a nível nacional, Geraldo Alckmin — outrora ardiloso combatente e ferrenho opositor do Lulopetismo, declarou para todo o país que Lula queria “voltar à cena do crime” e, pouco tempo depois, aliou-se ao petista para se tornar vice-presidente da República; e depois que, a nível local, o ex-prefeito, ex-comunista e Lulopetista de carteirinha, com direito a fazer o “L”, Isaac Carvalho, e a ex-prefeita Suzana Ramos(PSDB), até então arquirrivais, com troca de farpas e acusações mútuas durante a última campanha para prefeito de Juazeiro, se uniram em torno do pré-candidato a governador ACM Neto, em uma coletiva realizada nesta sexta-feira (30), no Rapport Hotel, em Juazeiro, não restam dúvidas: em política, nunca se deve dizer NUNCA.
Dizer “nunca” é perigoso porque ignora a essência da política: sua fluidez. A política não se move por linhas retas, mas por curvas, desvios e atalhos. Quem hoje demoniza, amanhã abraça. Quem ontem prometeu mudança, hoje administra a continuidade. Tudo depende do vento, do momento e da conveniência.
Por isso, mais do que acreditar em palavras definitivas, é preciso observar gestos, trajetórias e interesses. Na política, o improvável não só acontece, ele se repete. E, diante desse cenário, a única certeza possível é esta: nunca diga nunca.
(*) Professor e analista político
Não
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