Juros do crédito pessoal e do cartão rotativo se consolidam como os maiores vilões do orçamento popular
Por; Taciano Medrado*
Parece que o discurso oficial do "pai dos pobres" , insiste em falar de reconstrução social, crescimento com inclusão e proteção aos mais pobres. Entretanto, a realidade vivida pelas famílias brasileiras de baixa renda segue em direção oposta.
No governo Lula 3, a política econômica tem produzido um arrocho silencioso e contínuo, cujo peso maior recai sobre quem depende do crédito para sobreviver. O vilão central dessa engrenagem é o sistema financeiro, sustentado por juros abusivos no crédito pessoal e, sobretudo, no cartão de crédito rotativo.
Para os defensores do Lulopetismo, os dados recentes confirmam essa distorção. De acordo com informações da Agência Brasil, dados da Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central, apontam que as taxas médias de juros subiram para as famílias e caíram para as empresas. Em novembro, nas operações de crédito livre para pessoas físicas, o crédito pessoal não consignado avançou expressivos 5,5 pontos percentuais, alcançando 106,6% ao ano. O cartão de crédito parcelado subiu 3,2 pp, chegando a 181,2% ao ano, enquanto o cartão de crédito rotativo, já conhecido por seus juros extorsivos, registrou alta de 0,7 pp, atingindo alarmantes 440,5% ao ano.
Mesmo com a limitação legal da cobrança dos juros do rotativo, em vigor desde janeiro do ano passado, essa modalidade segue entre as mais caras do mercado. A medida, embora apresentada como solução para reduzir o endividamento, não interfere na taxa pactuada no momento da contratação, o que, na prática, mantém milhões de consumidores presos a dívidas impagáveis. O crédito rotativo, vale lembrar, é acionado quando o consumidor paga apenas parte da fatura do cartão. Em apenas 30 dias, a dívida é automaticamente convertida em cartão parcelado, perpetuando o ciclo de juros elevados.
No crédito pessoal não consignado, outro instrumento amplamente utilizado pelas famílias mais vulneráveis, a situação é igualmente grave: a alta acumulada em 12 meses chega a 7,3 pontos percentuais. Como resultado, a taxa média de juros das concessões de crédito livre para famílias subiu 0,9 pp em novembro, acumulando alta de 6,2 pp em 12 meses, chegando a 59,4% ao ano.
O contraste se torna ainda mais chocante quando se observa o tratamento dado às empresas. No mesmo período, os juros médios nas novas contratações de crédito livre empresarial caíram 0,6 pp no mês, ficando em 24,5% ao ano. Houve redução também nas operações de desconto de duplicatas e recebíveis, que recuaram para 19,3% ao ano, e no capital de giro com prazo superior a 365 dias, que caiu para 21,8% ao ano. Em outras palavras, enquanto o cidadão comum é esmagado pelos juros, o setor produtivo encontra alívio e condições mais favoráveis.
No crédito direcionado, aquele com regras definidas pelo governo, a disparidade persiste. Para pessoas físicas, a taxa ficou em 10,9% ao ano, com leve alta em 12 meses. Já para empresas, houve queda, chegando a 11,8% ao ano. O recado é claro: o sistema protege quem já tem capital e penaliza quem depende do crédito para sobreviver.
Diante desse cenário, o discurso social do governo perde credibilidade. Não basta falar em combate à pobreza enquanto se tolera um modelo financeiro que transforma o cartão de crédito em instrumento de exclusão e desespero. O arrocho imposto às famílias não vem apenas por meio de impostos ou cortes diretos, mas pela cobrança diária, invisível e devastadora dos juros. Sem enfrentar de forma firme o custo do crédito ao consumidor, qualquer projeto de justiça social continuará sendo apenas retórica, e a conta, como sempre, seguirá sendo paga pelos mais pobres, com juros cada vez mais altos.
(*) Professor de Economia, analise de Investimentos, engenharia econômica e redator chefe do TMNews do Vale
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