Governo Lula 3 – cobrindo um santo e descobrindo outro



Por: Taciano Medrado*

Olá caríssimos,

O terceiro governo Lula segue marcado por decisões que tentam equilibrar pressões políticas, fiscais e sociais, mas que, na prática, evidenciam o velho dilema brasileiro: resolve-se um problema imediato enquanto outro é criado ou aprofundado. A estratégia de “cobrir um santo e descobrir outro” reaparece como método recorrente de gestão.

No dia 19 de dezembro, foi sancionada e entrou em vigor a Lei nº 15.296, que autoriza a liberação de R$ 8,3 bilhões para a criação do Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais. A medida visa garantir que estados e municípios não sejam prejudicados financeiramente pela reforma tributária, que promete uma profunda transformação no sistema de impostos do país.

À primeira vista, trata-se de uma iniciativa necessária. A reforma tributária, vendida como modernizadora e racional, gera perdas reais para entes federativos que historicamente dependem de incentivos fiscais para atrair investimentos. O fundo surge, portanto, como um “colchão” político e financeiro para evitar resistências e viabilizar a aprovação do novo modelo.

O problema é o custo dessa escolha. Em um cenário de contas públicas pressionadas, déficits persistentes e discursos constantes sobre responsabilidade fiscal, a liberação bilionária levanta questionamentos inevitáveis: de onde virá esse dinheiro e quem pagará a conta? Enquanto se protege estados e municípios, outras áreas essenciais seguem sofrendo com contingenciamentos, cortes e promessas adiadas.

Além disso, a compensação não resolve o nó estrutural. Ela apenas posterga conflitos e transfere a fatura para o futuro, mantendo a dependência de fundos e remendos fiscais. Em vez de simplificar o sistema com sustentabilidade, o governo opta por um arranjo que alivia tensões políticas agora, mas amplia a complexidade e o risco fiscal adiante.

O Lula 3 governa tentando conciliar todos os lados, mas essa conciliação tem preço. Ao cobrir um santo para não perder apoio à reforma, outro fica descoberto,  seja no orçamento, na credibilidade fiscal ou na coerência do discurso. E, como a história brasileira mostra, essas escolhas sempre chegam à conta do contribuinte.

(*) Professor de Economia e Analise de Investimentos e  analista político


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