O Rei Acabe é descrito na tradição bíblica como um dos governantes mais cruéis e distantes de Deus na história de Israel. Sob a influência de sua esposa, Jezabel, ele promoveu a idolatria e perseguiu profetas. Seu governo foi marcado por uma seca severa de três anos e meio, uma punição divina que mergulhou a nação na fome extrema. O ponto crítico de sua negligência é narrado em 1 Reis 18, quando, em meio ao desespero do povo, Acabe mobiliza o alto escalão de seu governo para percorrer a terra em busca de pasto e água para garantir a sobrevivência de seus cavalos e mulas de guerra, em vez de priorizar o socorro aos famintos.
Quando líderes, sejam eles políticos, religiosos ou ativistas, priorizam o que é secundário em detrimento do essencial, estamos diante da ressurreição da Síndrome de Acabe. O Brasil hoje sangra sob essa mesma lógica perversa. Em Israel, durante aquela seca histórica, o rei dividiu o território com seu oficial para buscar fontes de água não para acabar com a sede do povo, mas para saciar seus animais de carga. Essa imagem é o sintoma máximo de uma liderança que perdeu a sensibilidade e a empatia com a dor dos seus liderados.
O acabismo moderno é a indiferença institucionalizada diante da dor alheia. É a priorização de debates ideológicos estéreis e pautas de fachada que, embora barulhentas, pouco alteram a realidade emergencial que esmaga o cidadão comum. Enquanto milhões de brasileiros enfrentam o fantasma do desemprego e o retorno humilhante da insegurança alimentar, assistimos ao espetáculo de ruas e instituições sendo capturadas por disputas de cargos e privilégios burocráticos. É a manutenção do status de secretarias e ministérios acima da sobrevivência das famílias; priorizam ser reeleitos acima do interesse social mais urgente com os pobres.
Como cidadãos, a omissão não é uma opção. É impossível não se indignar ao ver que os gritos mais altos de resistência vêm, muitas vezes, de uma casta que se beneficiou por décadas de projetos culturais discutíveis e de baixo alcance social, verdadeiros sanguessugas do erário. Este exército, frequentemente composto por inocentes úteis, é convocado para travar o país e desestabilizar governos em nome de pautas que sacrificam o bem nacional no altar do interesse partidário.
A fome voltou a aumentar e famílias que haviam conquistado a dignidade de três refeições diárias são empurradas de volta para a miséria pela sanha corruptora que atravessa diferentes gestões, o que nos faz questionar: até quando as mulas serão mais relevantes que as pessoas e permitiremos que pautas ideológicas e demarcações de território geopolítico atropelem o interesse nacional mais básico, que é a geração de empregos e a garantia do pão de cada dia?
É inadmissível. Chega de colocar mulas à frente do povo. Chega de transformar pautas secundárias em prioridade absoluta enquanto a nação padece. Somente quem já sentiu o peso da necessidade sabe o que significa essa negligência. Como bem resumiu o jornalista e pastor Emanuel: Quantas mulas estão sendo saciadas enquanto milhões estão desempregados? Infelizmente, até nos altares encontramos Acabes explorando suas ovelhas. Que Deus tenha misericórdia desta nação.
(*) Pastor
Juazeiro-BA
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