Lula x Alcolumbre: O poder da barganha entre o cooptador e o chantagista


Lula barganha o apoio de Alcolumbre com verbas de emendas parlamentares,  e transforma indicação de Jorge Messias ao STF em moeda de troca


Por Taciano Medrado*

Olá carissimos 

Na política brasileira, nada é tão simples quanto parece,  e a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal escancara, mais uma vez, que a liturgia republicana costuma ser atropelada pelos velhos hábitos do toma-lá-dá-cá. 

O senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), percebeu rapidamente o valor estratégico da sabatina de Messias e transformou o processo em uma moeda de troca de alto calibre. O resultado: o Planalto agora paga um preço político cada vez mais salgado para ver seu indicado avançar.

A crise entre o governo Lula e Davi Alcolumbre atingiu um nível que o Planalto já admite, nos bastidores, ser de chantagem aberta. A indicação de Jorge Messias ao STF virou a principal moeda de troca do presidente do Senado, que agora pressiona por um pacote robusto de cargos estratégicos antes de liberar votos para a sabatina marcada para 10 de dezembro. 

O gesto explicita o grau de tensão entre Executivo e Legislativo e cristaliza a percepção de que a governabilidade, no Brasil, segue refém de acordos velados e pressões que nada têm a ver com mérito técnico ou compromisso institucional.

A cena se repete como uma crônica anunciada da relação entre Executivo e Legislativo. Em vez de discutir critérios jurídicos, reputação ilibada ou contribuição do indicado ao futuro da Corte, a pauta foi sequestrada por negociações de bastidor. A CCJ virou balcão. A sabatina, peça de barganha. E Alcolumbre se posiciona como fiel da balança,  não pela qualidade do debate, mas pelo custo político imposto ao governo.

Essa movimentação expõe dois problemas centrais. O primeiro é a normalização da chantagem institucional, na qual temas de Estado são reduzidos a fichas de negociação. O segundo é a fragilidade do próprio Planalto, que, ao ceder às pressões, revela dependência excessiva de caciques parlamentares para avançar em suas pautas mais sensíveis.

O processo que deveria fortalecer a credibilidade do STF termina manchado por uma disputa de poder. Não está em jogo apenas o nome de Messias, mas o modo como a política brasileira trata questões essenciais para a estabilidade democrática. Quando a indicação de um ministro da Suprema Corte se torna objeto de barganha explícita, a erosão institucional deixa de ser ameaça e se torna fato.

O episódio deixa uma pergunta incômoda no ar: quando interesses pessoais e partidários falam mais alto que o interesse público, quem de fato está conduzindo o futuro das instituições brasileiras?

Enquanto o Planalto tenta reorganizar suas bases e evitar uma derrota constrangedora, Alcolumbre demonstra que, no jogo político, força não se mede pelo cargo que se ocupa, mas pelo preço que se é capaz de cobrar. E, no caso desta indicação, o valor,  para o governo e para a sociedade,  já se mostra perigosamente alto.

(*) Redação - TMNews do Vale 

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