POLITICAGEM: Não é papel do vereador acompanhar serviços de reparos da rede de esgoto



Por: Taciano Medrado*

Fiscalizar, legislar e representar — essas são as verdadeiras atribuições de um vereador, não atuar como executor de obras.

Olá, Caríssimos,

Circula nas redes sociais nesta sexta-feira (24) e em grupos de WhatsApp um vídeo gravado por um vereador da cidade de Juazeiro, no norte da Bahia, vestido de blazer — no melhor estilo Odorico Paraguaçu, célebre personagem da novela "O Bem Amado",  em que ele aparece acompanhando uma equipe do SAAE durante o desentupimento de uma rede de esgoto em uma das ruas da cidade. 

O parlamentar, visivelmente satisfeito, se vangloria por ter feito a solicitação à administração da autarquia municipal, como se fosse o grande responsável pela execução do serviço.

Mas é preciso deixar claro: não é papel do vereador acompanhar serviços de reparo de rede de esgoto, trocar lâmpadas ou tapar buracos de rua. A função primordial de um vereador é fiscalizar, legislar e representar os interesses do povo, e não executar ou supervisionar obras que são de responsabilidade do Poder Executivo.

Quando um vereador se coloca como executor de ações administrativas, ele usurpa o papel do Executivo Municipal e confunde a população sobre suas reais atribuições. O que deveria ser um ato de fiscalização — legítimo e necessário — transforma-se em uma cena teatral, muitas vezes usada como ferramenta de autopromoção política.

Infelizmente, essa prática é comum em diversas cidades. Parlamentares buscam visibilidade fácil, transformando serviços públicos rotineiros em espetáculo pessoal, como se o simples ato de registrar um vídeo ao lado de uma equipe de manutenção fosse uma grande conquista. No entanto, o eleitor mais atento sabe que vereador bom não é o que “faz”, é o que fiscaliza, cobra e garante que o Executivo faça corretamente.

Cabe ao vereador fiscalizar o uso do dinheiro público, propor leis que beneficiem a coletividade, analisar o orçamento e cobrar resultados. Acompanhar obras pode até fazer parte do dever fiscalizatório, mas jamais com postura de protagonista. O fiscal observa e cobra, não executa nem se vangloria.

A democracia se fortalece quando cada poder cumpre o seu papel com responsabilidade. Misturar funções gera confusão, favorece o populismo e enfraquece as instituições. Que os vereadores compreendam: o verdadeiro mérito está em agir com seriedade, ética e compromisso com o interesse público, e não em posar para vídeos nas redes sociais.

Por fim, é importante que antes do cidadão se arvorar a sair candidato a qualquer cargo eletivo que primeiro faça o dever de casa e estude com profundidade qual é o verdadeiro papel do futuro cargo que irá assumir, sob pena de incorrer principio do desvio de finalidade.

(*) Professor e redator-chefe do  TMNEWS DO VALE

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