A Inteligência Artificial (I.A) deixou de ser apenas um tema de ficção científica e se tornou uma presença cada vez mais real nas salas de aula, nas universidades e até mesmo nos cursinhos online. Ferramentas como ChatGPT, tradutores automáticos, assistentes virtuais e plataformas de aprendizagem adaptativa estão transformando profundamente o modo como se ensina e se aprende. Mas, diante dessa revolução tecnológica, surge a pergunta inevitável: estamos preparados para usar a I.A. como aliada no processo educacional, ou estamos caminhando para uma perigosa dependência digital?
De um lado, a I.A. representa um avanço sem precedentes. Ela personaliza o aprendizado, identifica dificuldades individuais e propõe estratégias específicas para cada aluno. Professores, por sua vez, podem usar a tecnologia para otimizar tempo, criar avaliações inteligentes e tornar as aulas mais dinâmicas e envolventes. Em um país como o Brasil, marcado por desigualdades educacionais, a I.A. pode ser uma ferramenta poderosa para democratizar o acesso ao conhecimento.
Por outro lado, é preciso cautela. A facilidade no uso de ferramentas automatizadas pode enfraquecer o pensamento crítico e a autonomia intelectual dos estudantes. Se usada sem mediação pedagógica, a I.A. pode se tornar um atalho perigoso, substituindo o esforço pela resposta pronta, o raciocínio pela cópia e o aprendizado real pela mera aparência de produtividade.
O papel do professor, portanto, nunca foi tão importante. Ele deixa de ser apenas transmissor de conteúdo e passa a ser mediador, orientador e curador de conhecimento. É o educador quem deve ensinar os alunos a pensar com a I.A., e não pela I.A. distinguindo o uso inteligente da dependência cega.
Preocupado com uso dessa ferramenta, o governo federal quer ouvir sugestões da população brasileira sobre como usar a inteligência artificial (IA) na área da educação. Para isso, abriu uma consulta pública visando coletar contribuições e sugestões da sociedade civil que vão ajudar a construir um referencial para o desenvolvimento e uso responsáveis da ferramenta no setor.
A consulta foi aberta nesta sexta-feira (10) e ficará disponível na plataforma Brasil Participativo até o dia 29 de outubro. Todo cidadão que tenha interesse em ajudar as escolas a fazerem bom uso dessa tecnologia pode contribuir pelo site Brasil Participativo.
O aviso de consulta pública foi publicado esta semana no Diário Oficial da União.
“Podem participar educadores, estudantes, famílias, gestores, pesquisadores, desenvolvedores e cidadãos interessados no tema”, informou o Ministério da Educação (MEC).
As contribuições serão agrupadas nos seguintes temas:
• proteção de dados;
• combate a vieses algorítmicos;
• direitos autorais e integridade acadêmica;
• critérios de transparência;
• protocolos de uso por faixa etária;
• formação docente; e
• acessibilidade e prioridades de infraestrutura.
Em nota, o MEC lembra que a inteligência artificial já está presente no cotidiano escolar, “desde o planejamento de aulas à personalização das trajetórias de aprendizagem, especialmente no contexto da acessibilidade do ensino a estudantes com diferentes necessidades”.
A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024, divulgada nesta semana pela OCDE, mostra que os professores no Brasil (56%) usam mais IA que a média (36%) dos países da organização.
Fundamentos e salvaguardas
Por meio do referencial a ser obtido com a ajuda da consulta pública, será possível definir “fundamentos e salvaguardas para que a tecnologia seja uma aliada da aprendizagem e não uma ameaça aos processos educacionais”.
Ainda segundo o MEC, entre as diretrizes estarão a adoção de medidas como:
• supervisão humana significativa em todas as etapas;
• alinhamento às finalidades pedagógicas;
• transparência e explicabilidade dos sistemas;
• governança e segurança de dados com avaliação de impacto algorítmico;
• compras públicas responsáveis; e
• formação continuada de professores e gestores.
O debate está lançado. A educação brasileira vive um momento decisivo: aprender a usar a Inteligência Artificial de forma ética, segura e produtiva. Que o futuro digital sirva para ampliar o conhecimento, e não para aprisionar o pensamento.
(*) Professor e redator-chefe
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