Imagem mostra o presidente dos EUA, Donald Trump (E), em Washington, DC, em 9 de julho de 2025, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro (D), em Caracas, em 31 de julho de 2024. — Foto: AFP/Jim Watson
A Venezuela decretou um estado de exceção que dá poderes especiais ao presidente Nicolás Maduro em caso de "agressão" dos Estados Unidos, informou nesta segunda-feira (29) a vice-presidenta Delcy Rodríguez. A medida ocorre após os EUA mobilizarem navios de guerra e tropas para o Caribe.
"O presidente subscreveu o decreto de comoção externa", disse Rodríguez em um ato em Caracas com o corpo diplomático credenciado no país. O decreto permite a Maduro "atuar em matéria de defesa e segurança e defender a Venezuela" se os Estados Unidos "chegarem a se atrever a agredir nossa pátria", acrescentou.
As tensões entre Trump e Maduro aumentaram desde que, há um mês, os EUA mobilizaram oito navios de guerra na região, sob o argumento de combater o tráfico de drogas. Trump também acusou Maduro de liderar um cartel, aumentando as especulações sobre uma possível intervenção militar na Venezuela.
O embate entre os líderes não é de agora. Em 2017, em seu primeiro mandato, Donald Trump chegou a falar em "opção militar" para a Venezuela.
Maduro oferece ajuda contra líderes de gangues
Maduro tem buscado retomar negociações com Washington e, segundo fontes ouvidas pela agência, afirmou que poderia colaborar na localização dos chefes mais procurados do grupo criminoso, que atua em vários países das Américas e se tornou prioridade para o governo Trump.
Na carta, vista pela agência Reuters, Maduro rejeitou as alegações dos EUA de que a Venezuela desempenhava um grande papel no tráfico de drogas, observando que apenas 5% das drogas produzidas na Colômbia são enviadas através da Venezuela.
"Presidente, espero que juntos possamos derrotar as falsidades que têm manchado nosso relacionamento, que deve ser histórico e pacífico", escreveu Maduro na carta.
Terceiro ataque dos EUA
O ataque matou "três homens narcoterroristas a bordo da embarcação", disse Trump, sem fornecer provas.
Trump negou na semana passada que esteja interessado em uma mudança de regime na Venezuela, mas Washington dobrou, em agosto, a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro para US$ 50 milhões, acusando-o de ligações com o tráfico de drogas e grupos criminosos.
O governo Trump parece dividido sobre a Venezuela, com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, liderando a campanha de pressão contra Maduro, enquanto Grenell, que atuou como diretor interino de inteligência nacional durante o primeiro mandato de Trump, e outros impulsionam a diplomacia.
G1 - Mundo
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