Olá carissimo(a)s leitore(a)s,
Parece que nem só de flores vive o STF, como querem deixar transparecer os onze ministros, que compõem a Suprema corte da justiça brasileira e capitaneado pelo "!superministro" Alexandre de Moraes.
O Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o guardião da Constituição, mais uma vez se transformou em palco de disputas pessoais e vaidades expostas em rede nacional. A toga, que simboliza equilíbrio e sobriedade, deu lugar a discursos inflamados, ironias afiadas e deboches dignos de plenário político, não de uma corte constitucional.
Nesta terça-feira (9), durante a retomada do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus, o ministro Alexandre de Moraes e Luiz Fux, ambos do STF (Supremo Tribunal Federal), discutiram fortemente, protagonizando um momento de tensão jamais visto no tribunal nos últimos tempos.
O Imbróglio
Em meio ao voto de Moraes, que é o relator do caso, o ministro Flávio Dino, declaradamente parte do bloco de Moraes, o interrompeu para fazer um aparte – interrupção durante o debate feita por uma parte enquanto a outra está com a palavra. No entanto, Fux tomou a palavra e ressaltou que os ministros haviam combinado de não interromper o voto um do outro.
De pronto, o aliado de Moraes e presidente da Primeira Turma do STF, ministro Cristiano Zanin – que integra o mesmo time cujo projeto é o de condenar Bolsonaro – intercedeu, alegando que a interrupção havia sido autorizada pelo relator. Imediatamente, e com firmeza, Fux reiterou que não iria conceder interrupções durante seu voto, em razão da sua extensão. Demonstrando irritação, o “superministro 11 em 1” rebateu que o pedido de fala fora feito a ele, e não a Luiz Fux. Dino, então, afirmou em tom de ironia que não pediria a palavra ao ministro Fux e que ele poderia “dormir tranquilo”.
Veja abaixo a transcrição ipsis litteris da discussão extraída do vídeo de transmissão da sessão do STF dessa terça-feira (9):
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Luiz Fux: Só para falar uma questão de ordem, conforme nós combinamos na sala, alguns ministros votariam direto sem intervenções de outros colegas. Embora foi muito própria essa intervenção do ministro Flavio Dino, eu gostaria de cumprir aquilo que nós combinamos no momento em que eu votar.
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Cristiano Zanin: É que nesse caso houve autorização do relator.
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Luiz Fux: Mas eu não vou conceder com a proposta que nós combinamos lá na sala, porque o voto é muito extenso e a gente perde o fio da meada, principalmente quando eventualmente se apresentar uma discordância.
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Alexandre de Moraes: Mas esse aparte foi pedido a mim, não a Vossa Excelência.
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Flávio Dino (para Fux): E eu não pedirei a palavra para Vossa Excelência. Pode dormir em paz.
O espetáculo visto revela não apenas divergências jurídicas, mas também um embate de egos. Ministros que deveriam se ater à interpretação da lei acabaram protagonizando um duelo de frases mordazes, deixando em segundo plano o objeto real do julgamento. O calor da discussão foi tamanho que, em certos momentos, parecia menos um tribunal e mais uma arena.
Em um país onde a confiança nas instituições já está abalada, episódios como esse não contribuem para fortalecer a imagem do Judiciário. Ao contrário, revelam uma corte dividida, exposta e vulnerável ao desgaste público. O povo, que espera serenidade e grandeza de seus magistrados, assiste perplexo a uma guerra de vaidades que mais confunde do que esclarece.
No fim, resta a sensação de que, enquanto a temperatura sobe dentro do STF, lá fora a sociedade segue à espera de respostas concretas – e não de espetáculos verbais.
(*) Professor e analista político
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