(*) Taciano Medrado
Amanheci pensando qual tema eu iria abordar no editorial dessa sexta-feira(19), dai me veio a cabeça uma palavra nova que inventei, que os estudiosos da língua portuguesas chamam de neologismo - "Lulapatia".
A política brasileira, infelizmente, tem se tornado palco de uma estranha doença institucional: a Lulapatia. Esse fenômeno consiste na incapacidade de enxergar os erros, abusos e contradições de um líder que, blindado por sua própria narrativa e por setores e instituições poderosos, insiste em se colocar acima de tudo e de todos.
A Lulapatia não é apenas uma idolatria cega; é também um perigoso desdém pelas regras do jogo democrático. Quando se aceita que tudo pode ser relativizado em nome da manutenção do poder, abre-se espaço para o enfraquecimento das leis, para a captura das instituições e para a corrosão da confiança da sociedade no próprio sistema político.
O discurso de quem se diz defensor da democracia soa cada vez mais vazio quando, na prática, se utiliza dela como escudo para proteger aliados, perseguir opositores e relativizar princípios éticos. O maior risco não está no adversário declarado, mas no governante que, sob o pretexto de defender o povo, avança sobre os limites que deveriam contê-lo.
A democracia não resiste a favoritismos seletivos, a anistias convenientes e a tentativas de transformar a política em culto à personalidade. Resistir à Lulapatia é, portanto, resistir à ideia de que a democracia pode ser manipulada ao gosto de quem ocupa o poder.
No fim, não se trata de esquerda ou direita, mas de zelar pelo essencial: a liberdade, a justiça e o equilíbrio institucional. Sem isso, a democracia se torna apenas uma palavra de efeito, esvaziada de significado, usada como máscara para encobrir a realidade.
(*) Professor e analista político
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