(*) Taciano Medrado
Olá caríssimos leitores
Me lembro que nos meus primeiros estudos de Filosofia, duas palavras fundamentais me chamaram a atenção: ÉTICA e MORAL.
A primeira palavra, ÉTICA, segundo o Dicionário Jurídico e Multidisciplinar de autoria do professor e escritor Afonso Celso F. Rezende, ÉTICA (Filos.) Do Grego, "ethike", é o ramo da Filosofia, que significa "Um conjunto de virtudes e qualidades humanas"(João Pedro Palmiere), de informações ou conhecimentos metodizados com referencia á Moral, ou seja, os valores perfeitos , ideais, elevados princípios quanto á conduta ou modelo de comportamento do homem perante a sociedade."
A segunda palavra, MORAL, (Filos.) Uma das partes da Filosofia, que observa os costumes, procedimentos e ainda as obrigações e deveres do homem quando em atividade. É a ciência do bem e das regras da ação do homem. A Moral é aplicação da Ética às relações humanas. Conjunto das normas de conduta em harmonia com a virtude e em conformidade com o que é lícito e honesto".
Vivemos em um tempo em que a ética e a moralidade parecem ter se tornado meros enfeites de discursos políticos e acadêmicos, mas que, na prática, já não norteiam as atitudes de muitos dos que ocupam cargos de liderança, poder e influência em nosso país. O Brasil, que deveria buscar constantemente a construção de uma sociedade justa e igualitária, mergulha em um ciclo de escândalos, impunidade e inversão de valores.
O conceito de ética, que remete a princípios universais de justiça, respeito e responsabilidade, foi sendo substituído por conveniências pessoais, jogos de interesse e pela velha lógica de que “os fins justificam os meios”. Já a moralidade, que deveria ser a base do convívio social, perdeu espaço para a normalização da corrupção, da mentira institucionalizada e da falta de compromisso com a verdade.
O mais preocupante é perceber como esses desvios foram incorporados pelo imaginário coletivo. Hoje, para muitos brasileiros, práticas como a propina, o “jeitinho” ou a manipulação das regras parecem fazer parte natural do sistema. E quando a sociedade aceita a degradação moral como algo inevitável, ela própria contribui para perpetuar um ciclo vicioso que mina a confiança nas instituições e no futuro.
Enquanto isso, figuras públicas que deveriam ser exemplos de conduta ética transformam-se em protagonistas de novelas judiciais intermináveis, onde sempre sobra espaço para recursos, manobras jurídicas e discursos vitimistas. A sensação de impunidade corrói a esperança do cidadão comum, que se vê obrigado a cumprir leis que muitas vezes não atingem os poderosos.
O Brasil, infelizmente, tornou-se um país onde ética e moralidade deixaram de ser virtudes centrais, convertendo-se em palavras vazias, utilizadas apenas quando convêm.
E a grande pergunta que fica é: até quando o povo brasileiro vai aceitar ser governado por líderes que tratam a ética como adereço e a moralidade como ficção? Talvez o maior desafio da nossa geração seja resgatar esses valores — antes que eles se percam de vez no abismo da indiferença.
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