Chegamos mais uma vez ao “Dia da Independência”. A data que deveria simbolizar a soberania de um povo e a força de uma nação acaba servindo como um feriado prolongado com direito a desfiles militares, discursos protocolares e bandeirinhas tremulando ao vento. Mas, convenhamos: o que realmente temos para comemorar neste 7 de setembro?
Talvez o superpoder do Judiciário, que parece cada vez mais se fantasiar de guardião supremo da democracia — ainda que, vez ou outra, atue como protagonista de um espetáculo de vaidades. São eles que, com uma canetada, decidem o que pode ou não ser dito, pensado ou até sonhado. A independência, portanto, passa por um filtro bem específico: o da toga.
Ou quem sabe devamos celebrar a subserviência do Executivo, que entre apertos de mãos diplomáticos e discursos recheados de promessas, mais parece aquele aluno aplicado que não ousa contestar o professor. O governo diz governar, mas antes de qualquer decisão olha para os lados, consulta a plateia e se certifica de que ninguém vai chiar. Afinal, o risco de desagradar é maior do que o de governar.
E o que dizer da inoperância do Legislativo? Ah, essa sim é digna de um brinde. Um parlamento que adora se reunir, discutir, criar comissões, mas que, quando se trata de resultados concretos para o povo, se transforma num grande auditório de discursos vazios. Entre selfies nos corredores e negociações de bastidores, a produção legislativa para o bem comum anda tão parada quanto um desfile em dia de chuva.
Assim, neste 7 de setembro, a grande dúvida não é se temos algo a comemorar, mas se ainda nos resta disposição para rir desse enredo tragicômico. Porque, ironicamente, a única independência que parece resistir é a da elite política em relação ao povo — essa, sim, inabalável e intocável.
Feliz feriado da dependência, ops!, Independência!
(*) Professor e analista político
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