Presidentes da Fifa, Gianni Infantino, e da Conmebol, Alejandro Domínguez, vão enviar representantes à CBF em janeiro. Foto: Jorge Saenz/AP Photo© Fornecido por Estadão
Como
já fizera no último dia 14, a Fifa voltou a demonstrar, neste
domingo, toda sua insatisfação com a interferência imposta no comando
da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um comunicado foi
enviado ao secretário-geral da entidade que dirige o futebol brasileiro,
Alcindo Reis Rocha.
“Com
base nas informações que nos foram fornecidas até agora, parece que o
presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o senhor José Perdiz de
Jesus, na qualidade de interveniente, insiste na manutenção eleições no prazo
de 30 dias úteis e também solicitou ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de
Janeiro a nomeação um Conselho de Administração interino da CBF para
administrar seus negócios. Neste contexto, gostaríamos novamente de enfatizar
que de acordo com o art. 14 par. 1 i) e art. 19 do Estatutos da Fifa, as
associações membros devem gerir os seus assuntos de forma independente e sem
influência indevida de qualquer tipo de terceiros. Qualquer violação de tal
obrigação pode levar a sanções conforme previsto nos Estatutos da Fifa,
incluindo suspensão”, informou a carta.
No
documento, a entidade que comanda o futebol mundial ratificou sua visita ao
Brasil no início do ano e reiterou ameaças. “Conforme informado anteriormente à
CBF, Fifa e Conmebol enviarão missão conjunta ao Brasil na semana de 8 de
janeiro de 2024 para se reunir com as respectivas partes interessadas para
examinar a atual situação e trabalhar em conjunto para encontrar uma solução
para a situação atual. Fifa e Conmebol gostariam de enfatizar fortemente que,
até que tal missão seja realizada, nenhuma decisão que afete a CBF, incluindo
qualquer eleição ou convocação de eleição, será tomada. Caso isto não seja
respeitado, a Fifa não terá outra opção senão submeter o assunto ao seu órgão de
decisão relevante para consideração e decisão, que também pode incluir uma
suspensão.”
E
finalizou: “Gostaríamos também de sublinhar que caso a CBF seja eventualmente
suspensa pelo órgão relevante da Fifa, perderia todos os seus direitos de
membro com efeito imediato e até que a suspensão seja levantada pela Fifa. Isso
também significaria que as equipes representativas e clubes ligados à CBF não
teriam mais o direito de participar de qualquer competição internacional
ENTENDA
O CASO
O
julgamento que acabou tirando Ednaldo do poder do futebol tratou da
legalidade de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a CBF e o
Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) em março de 2022. Na época, o TAC
permitiu que a Assembleia Geral da entidade elegesse Ednaldo presidente. Mas os
desembargadores Gabriel Zéfiro, Mauro Martins e Mafalda Lucchese consideraram
inicialmente que o MP não poderia ter ajuizado Ação Civil Pública (ACP) contra
as eleições realizadas pela entidade em 2017, quando Rogério Caboclo foi
eleito.
A
revisão ocorreu a pedido de dois ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira e
Marco Polo del Nero. Assim, o TAC também foi considerado nulo. Outros dirigentes
de federações também acionaram a Justiça.
A
CBF e o MP-RJ firmaram o TAC porque o órgão da Justiça considerava ilegais as
regras que regiam a eleição na confederação, ou seja, a que levou Ednaldo
Rodrigues ao cargo de presidente. Isso porque uma mudança no estatuto da
entidade, em 2017, estabeleceu pesos diferentes para os votos praticados por
federações e clubes - a brecha permitia clubes e federações de votarem em
conjunto para eleger o presidente. Foi sob essa regra que Rogério Caboclo
elegeu-se presidente da CBF em 2017, indicado pelo então dirigente afastado
Marco Polo del Nero. Caboclo foi destituído, em meio a denúncias de assédio.
Ednaldo,
então vice-presidente da CBF, assumiu o comando de forma interina após o
afastamento de Caboclo. Opositores tentaram barrar a eleição de março de 2022
alegando que o TAC fora assinado por ele, como presidente interino, e serviu
para referendar uma eleição que o tornaria presidente de fato.
Com informações do Estadão
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