Lula não entendeu que Congresso é de centro-direita, diz analista

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem colecionado derrotas no Congresso em seu 3º mandato. Há 2 principais motivos, na avaliação do consultor político João Hummel, da Action RelGov:

Fisiologia. Cargos e emendas são ambições dos congressistas;


Ideologia. O Congresso hoje é de centro-direita e o governo tenta emplacar pautas associadas à esquerda.


Na últimas semanas, houve demonstrações dos deputados nos 2 sentidos. Primeiro atrasou a votação do novo regramento fiscal. Foram liberadas emendas e, com auxílio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o tema foi vencido no plenário.


No caso do Projeto de Lei das fake news, a situação foi outra. Mesmo com Lira atuando pela aprovação, os congressistas de direita mostraram que derrubariam a lei apoiada pelo governo.


“A dificuldade de articulação é pelos temas que o PT escolheu para dar início ao debate. O Carf, armas, toda a pauta dos sem terra. São temas associados à ideologia do PT. E será que a sociedade apoia essa pauta? Será que interessa aos congressistas de centro-direita?”, disse em entrevista ao Poder360.


Hummel tem 60 anos, foi assessor especial do ministério da Agricultura e Pecuária de 2003 a 2005, é fundador do IPA (Instituto Pensar Agro) e é conselheiro de uma série de frentes parlamentares.


Foi dele a ideia de associar esses grupos a institutos. Um dos primeiros testes foi com a FPA (Frente Parlamentar do Agro) com o IPA. Hoje, ele faz a ponte entre o Instituto Unidos Brasil e a FPE (Frente Parlamentar do Empreendedorismo).


Para Hummel, o conflito ideológico que Lula não conseguiu afastar do debate político é justamente o que tem atrapalhado a construção de uma base no Legislativo.


“A sociedade demonstrou que não é mais de esquerda. Veja os deputados, senadores, governadores. Algo como 70% é de centro-direita. Não foi o Lula que ganhou, foi o Bolsonaro que perdeu“, compara.


Agro


Segundo Hummel, há disposição do agro em negociar com o governo. Desde a campanha o setor tem tido relação difícil com o grupo do atual presidente. A onda de invasões do MST em abril deste ano piorou a situação.


Mas a necessidade de melhorar o crédito para o setor e a infraestrutura para escoar a produção tornam eles, de certa forma, dependentes do governo. Por outro lado, o governo também depende do agro pelo tamanho que eles têm no PIB do país, próximo a 1/4 do total.


“Lula e o agro terão de baixar a bola sentar à mesa para construir uma relação de confiança. A vantagem competitiva que o Brasil tem hoje em relação ao mundo é muito grande. E a gente só pode continuar tendo isso se tiver esse diálogo e o fortalecimento das políticas públicas“, disse.


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