Parece
que o arrependimento chegou muito mais cedo do
que eles esperavam. Depois de ajudar a derrubar Bolsonaro e
apoiar o Lulapetista a retornar ao poder, o jornal Estadão acordou de vez e
agora não poupar criticas ao atual mandatário.
Mais uma vez o jornal publicou um editorial na coluna nota & Informações nessa quinta-feira(16) onde volta a detonar o ex-aliado petista. Veja abaixo a transcrição ipsis litteris do editorial .
A iniciativa, por óbvio, foi recebida como uma tentativa de intromissão nos trabalhos da equipe econômica. Se há um assunto que deveria estar sob a liderança do Ministério da Fazenda é o novo arcabouço fiscal, atualmente a parte mais relevante da política econômica. O debate público sobre a âncora é válido e pode contribuir para a construção de um arcabouço crível e estável. No entanto, essa é uma iniciativa que certamente não cabe a Mercadante ou ao BNDES, mas apenas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O
episódio, no entanto, não é um caso isolado. Ele ilustra um problema mais
amplo, que não se esperava que ocorresse sob a Presidência de Lula. Em seu
terceiro mandato na Presidência da República, o petista não é um novato na
atividade de governar. Mas, como se não tivesse vencido as eleições e assumido
o País, ele mantém a aposta em um discurso de campanha capaz de mobilizar
apenas seus próprios seguidores. Enquanto isso, seu governo está paralisado e
batendo cabeças em público.
Desde
o dia 18 de janeiro, primeira vez em que Lula criticou o presidente do Banco
Central (BC), Roberto Campos Neto, a autonomia da instituição e o nível da taxa
básica de juros, o País assiste a uma novela diária pautada em sua cruzada
contra a autoridade monetária. No capítulo mais recente dessa trama de gosto
duvidoso, o evento de aniversário de 43 anos do PT foi usado como pretexto para
mobilizar sindicatos e militantes a adotar uma nova causa política: “Fora
Campos Neto”. Não há como não lembrar o bordão “Fora FHC e FMI” que o partido
bradava na década de 1990, período em que se especializou em fazer oposição
intransigente ao então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Elegendo
Campos Neto como inimigo, Lula dá a entender que os juros altos são uma decisão
pessoal do presidente do BC, único problema e verdadeira causa de todos os
desafios econômicos e sociais do País. Não são. Há inúmeros outros aspectos da
agenda pública a serem tratados com mais urgência e efetividade, a começar
pelas relações com o Congresso Nacional. Até mesmo o economista André Lara
Resende, que integrou a equipe de transição e é um dos maiores críticos aos
juros elevados, considerou um erro o fato de o governo não ter escolhido o novo
regime fiscal como tema a abrir a pauta legislativa neste ano.
A
aprovação da âncora fiscal não seria exatamente fácil, pois requer um projeto
de lei complementar e a construção de maioria absoluta entre os parlamentares.
Mas isso certamente é menos trabalhoso do que aprovar as reformas tributárias
que tramitam na Câmara e no Senado, ambas Propostas de Emenda à Constituição
(PECs) e que demandam maioria qualificada. Ainda assim, o governo hesita em
adotar uma delas. Enquanto isso, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),
criou um grupo de trabalho para discutir o tema, e os setores contrários a
quaisquer mudanças já começaram a se articular para barrá-las. Dado o histórico
de Lula, a letargia da articulação do governo no Congresso seria inexplicável,
não fosse o fato de o Executivo ainda não ter conseguido construir uma base
aliada que possa ser chamada de estável para submeter seus projetos sem risco
de derrota.
Lula
completou 45 dias na Presidência, período em que desperdiçou uma janela rara
para apresentar a agenda de um governo recém-eleito e unir o País. Se não a
aproveitou, não foi por falta de experiência ou liderança. Das duas uma: ou não
sabe o que fazer e para onde ir ou sabe o que precisa fazer pelo País, mas não
quer arcar com o alto custo político imposto por essas impopulares decisões. (O Estadão)
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