A deputada
estadual Janaina Paschoal (PRTB-SP) se descola de Bolsonaro e não consegue vaga
no Senado Foto: Marcelo Chello/Estadão© Fornecido por Estadão
A deputada
federal Joice Hasselmann (PSL-SP) saiu de mais de 1 milhão de votos em 2018
para 13 mil em 2022. Foto: Tiago Queiroz/Estadão© Fornecido por Estadão
Da
Redação
Alguns
candidatos com experiência política, projeção nas redes sociais e altos índices
de votação em eleições passadas não conseguiram repetir o desempenho e foram
derrotados nas urnas neste domingo, 2. Mesmo aqueles que já cumpriam mandato
tiveram dificuldades para atrair eleitores neste ano e superar a onda
bolsonarista que dominou o pleito para o Legislativo.
É
o caso de Alexandre Frota (PSDB-SP), que fez carreira na
televisão. Ex-aliado do presidente Jair
Bolsonaro (PL), ele se elegeu para a Câmara dos Deputados pelo
PSL (então sigla de Bolsonaro) em 2018 com mais de 150 mil votos. Neste ano,
tentava uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), mas
recebeu 24 mil votos e não se elegeu. Ele desembarcou do bolsonarismo após
criticar as atitudes do presidente, em 2019, e desde então passou a fazer
críticas publicamente ao chefe do Executivo.
O
mesmo ocorreu com outros ex-aliados do presidente. Joice
Hasselmann (PSDB-SP), por exemplo, recebeu mais de 1 milhão de votos
em 2018, quando associava sua imagem à de Bolsonaro, e apenas 13 mil neste
ano. Janaína Paschoal (PRTB-SP), que teve mais de 2 milhões
de votos nas últimas eleições e se tornou a candidata mais votada da história
do País, teve 447 mil ao tentar o Senado por São Paulo neste ano.
Tanto
Joice como Janaína se descolaram do bolsonarismo nos últimos anos. Janaina se
diz fiel às pautas defendidas pelo presidente, mas não à figura dele em si, e
perdeu para o candidato apoiado pela coligação de Bolsonaro, Astronauta Marcos Pontes (PL-SP).
Para
o cientista político Ricardo Ismael de Carvalho, professor da PUC-Rio, os
três ficaram em uma situação difícil com o eleitorado, pois não têm votos na
oposição ao governo. “Eles foram eleitos com apoio de Bolsonaro. Ao passarem
para a oposição, eles não têm voto”, afirma.
Alguns
aliados de Bolsonaro também não conseguiram atingir o coeficiente eleitoral.
Foi o caso do ex-presidente da Fundação Zumbi dos Palmares Sérgio Camargo (PL) e da médica Nise
Yamaguchi (PROS), que ganhou destaque durante a CPI da
Covid. “Cada caso é um caso, mas Sérgio se desgastou muito na gestão de
Bolsonaro com posições retrógradas e polêmicas. Já Nise se arriscou para ver se
conseguia, mas a eleição pelo sistema proporcional é muito disputada, não cabe
todo mundo”, diz.
Também
houve nomes tradicionais da política que não se elegeram. O senador José Serra (PSDB)
ficou em 80º lugar no número total de votos para deputado federal por São
Paulo, tendo sido escolhido por 88.926 eleitores. O desgaste do partido no
estado e a falta de palanque do governador Rodrigo Garcia (PSDB), candidato à reeleição,
explicam a derrota.
“O
PSDB não chega ao segundo turno em São Paulo depois de muitos anos e o partido
perdeu muitos deputados federais, caindo de 23 para 10. Serra paga um preço de
um declínio do PSDB a nível nacional e, especificamente, em São Paulo”, diz o
professor.
O
ex-senador José Aníbal (PSDB), que já foi vereador, deputado
federal e secretário do governo de Geraldo
Alckmin (PSB), teve desempenho ainda pior: ficou em 306º lugar, com
7.692 votos. *O deputado federal Paulinho da Força (SD) tampouco conseguiu se
reeleger, assim como o ex-ator pornô Kid Bengala (União Brasil).
Nomes
como o ex-deputado federal Eduardo
Cunha, ex-líder da Câmara dos Deputados e preso por corrupção, não conseguiram outro mandato. Pelo
Twitter, Cunha elencou alguns motivos por não ter sido eleito, como o fato de
ter mudado o domicílio eleitoral do Rio para São Paulo, por muitos não saberem
que ele estava candidato.
“Estava
com partido com pouco tempo de TV e também não fiz campanha de forma adequada,
como sempre fazia no Rio”, diz. Ele recebeu pouco mais de 5 mil votos. Sua
filha, no entanto, conseguiu ser eleita no Rio, com mais de 75 mil votos.
Ainda
no estado carioca, os candidatos Heloisa
Helena (Rede), a atriz Antonia
Fontenelle (Republicanos) e Marcello
Siciliano (PP) tampouco lograram êxito. Heloisa, que tinha domicílio
eleitoral em Alagoas, teve 38.161 votos.
Por
outro lado, houve candidatos famosos que se mantiveram no bolsonarismo e
superaram seu desempenho de 2018. A deputada federal Bia Kicis (PL-DF)
recebeu 214.733 votos, mais que o dobro dos cerca de 86 mil recebidos nas
eleições passadas.
O estreante Mario Frias, que assim como Frota fez carreira na TV, chegou ao governo como secretário especial de Cultura no meio do mandato de Bolsonaro e teve 122.564 votos em sua primeira eleição, o que lhe valeu o mandato de deputado federal
Com informações do Estadão
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